As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 11,3% em abril de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Enquanto isso, as vendas brasileiras para a China avançaram 32,5% no mesmo intervalo, reforçando o peso crescente do mercado asiático na balança comercial brasileira.
De acordo com os números oficiais, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 3,121 bilhões em abril deste ano, abaixo dos US$ 3,517 bilhões registrados em abril de 2025. As importações de produtos norte-americanos também caíram no período, recuando 18,1%, de US$ 3,780 bilhões para US$ 3,097 bilhões.
Com isso, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos encerrou abril com um superávit de US$ 20 milhões para o lado brasileiro.
O resultado representa a nona queda consecutiva das exportações brasileiras ao mercado norte-americano desde a adoção da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo do presidente Donald Trump em meados de 2025. Mesmo após a retirada de alguns produtos brasileiros da lista tarifária no fim do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento estima que cerca de 22% das exportações brasileiras ainda permaneçam sujeitas às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O grupo inclui itens que pagam uma tarifa adicional de 40% e também produtos que acumulam a sobretaxa junto à alíquota-base de 10%. O impacto vem sendo sentido principalmente em setores industriais e em produtos de maior valor agregado destinados ao mercado norte-americano.
Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secex, Herlon Brandão, apesar da retração, os números indicam uma recuperação gradual das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
“Ainda observamos redução da exportação, mas ele vem se recuperando ao longo dos meses. Neste ano, superamos US$ 3 bilhões após vários meses abaixo desse patamar”, afirmou.
Enquanto o comércio com os Estados Unidos perdeu força, a relação comercial com a China apresentou forte expansão. As exportações brasileiras para o país asiático atingiram US$ 11,610 bilhões em abril, contra US$ 8,763 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
As importações vindas da China também cresceram, avançando 20,7% no período, passando de US$ 5,018 bilhões para US$ 6,054 bilhões.
O desempenho garantiu ao Brasil um superávit comercial de US$ 5,56 bilhões com a China somente em abril, consolidando o país asiático como principal parceiro comercial brasileiro.
No acumulado de janeiro a abril de 2026, as exportações brasileiras para a China cresceram 25,4%, totalizando US$ 35,61 bilhões. Já as importações apresentaram leve recuo de 0,4%, somando US$ 23,96 bilhões no período.
Com isso, o superávit comercial brasileiro com os chineses atingiu US$ 11,65 bilhões nos quatro primeiros meses do ano.
Outro ponto destacado pela Secex foi o comportamento das exportações de petróleo bruto. Segundo Herlon Brandão, a queda no volume exportado em abril está ligada principalmente à volatilidade do mercado internacional e não ao imposto de exportação criado pelo governo brasileiro para financiar medidas de redução do preço do diesel.
A medida foi adotada em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à alta internacional do petróleo provocada pela guerra envolvendo o Irã.
Segundo Brandão, o Brasil continua competitivo no setor petrolífero devido ao baixo custo de produção e à forte demanda internacional, o que pode favorecer uma retomada das exportações nos próximos meses.
Em abril, as exportações brasileiras de petróleo bruto cresceram mais de 10% em relação ao mesmo mês do ano passado. O avanço foi impulsionado pela alta de 23,7% nos preços médios internacionais da commodity. Apesar disso, o volume efetivamente exportado caiu 10,6%, refletindo os efeitos da volatilidade no mercado global de energia.
O cenário reforça a crescente dependência brasileira do mercado chinês em meio às dificuldades comerciais enfrentadas com os Estados Unidos. Especialistas avaliam que a continuidade das tarifas norte-americanas pode acelerar ainda mais a diversificação dos destinos das exportações brasileiras, sobretudo nos setores ligados ao agronegócio, mineração e energia.
Com informação Agência Brasil.






















