O crescimento das vendas nem sempre representa sucesso financeiro para empresas do varejo. Em meio ao avanço do comércio brasileiro, especialistas alertam que a margem de lucro, e não apenas o faturamento, deve ser considerada o principal indicador de sustentabilidade e eficiência dos negócios.
Segundo Henrique Carbonell, CEO e cofundador da F360, crescer sem rentabilidade pode criar uma falsa sensação de prosperidade e esconder problemas estruturais que comprometem o futuro das empresas.
De acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o comércio segue liderando a abertura de empresas no país, mas também concentra elevados índices de fechamento precoce. Para o especialista, a principal causa não é a falta de vendas, mas sim a ausência de gestão financeira estruturada.
“Muitas empresas aumentam o faturamento, mas não conseguem transformar esse crescimento em lucro real. Sem controle de custos, despesas e fluxo de caixa, o crescimento pode apenas ampliar prejuízos”, afirma Carbonell.
O executivo destaca que a margem é resultado direto de disciplina financeira, eficiência operacional e decisões baseadas em dados confiáveis. Em redes varejistas e franquias, pequenas oscilações percentuais já podem gerar impactos significativos no resultado final.
Outro problema frequente, segundo ele, é a confusão entre margem bruta e margem líquida. Enquanto a margem bruta mede o desempenho dos produtos vendidos, a margem líquida mostra a real saúde financeira da operação após todos os custos envolvidos.
“Sem acompanhar esses indicadores de forma contínua, empresas podem expandir prejuízos sem perceber”, explica.
Franquias e redes enfrentam desafios maiores
O cenário se torna ainda mais desafiador para franquias e redes de lojas. A falta de padronização nos controles financeiros entre unidades dificulta análises comparativas e decisões estratégicas.
Sem uma visão consolidada da operação e indicadores consistentes, torna-se mais difícil identificar gargalos, corrigir falhas e promover ajustes eficientes.
Segundo Carbonell, o crescimento sustentável exige ferramentas como Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) por unidade, além de integração financeira entre todas as operações da rede.
Meios de pagamento exigem atenção
Outro ponto apontado pelo especialista envolve as transações por cartão e intermediadores financeiros. A ausência de conciliação adequada e de monitoramento das taxas cobradas pode gerar perdas graduais que, acumuladas, comprometem a rentabilidade do negócio.
“Muitos varejistas deixam passar pequenas diferenças diariamente. No fim do mês ou do ano, isso representa uma perda relevante para a margem”, alerta.
Além das taxas financeiras, o executivo ressalta a importância de acompanhar despesas operacionais como aluguel, folha de pagamento, logística e marketing.
“Muitas vezes, o problema não está no preço praticado, mas em ineficiências internas que só aparecem quando a empresa organiza corretamente seus dados”, afirma.
Tecnologia e gestão em tempo real
Para enfrentar os desafios do setor, Carbonell defende a profissionalização da gestão financeira, com menos dependência de planilhas e maior adoção de sistemas integrados que ofereçam visibilidade em tempo real.
Segundo ele, no cenário atual, a competitividade do varejo não depende apenas da experiência oferecida ao consumidor, mas também da capacidade de interpretar dados e administrar corretamente os números da operação.
“O mercado ainda celebra muito o faturamento. Mas a margem é o que realmente garante crescimento sustentável e segurança para enfrentar oscilações econômicas”, conclui.






















