A inteligência artificial se tornou um dos temas mais presentes no ambiente corporativo. Ela aparece em reuniões estratégicas, planos de inovação e discursos empresariais como uma promessa de transformação da produtividade, redução de custos e aceleração de decisões. No entanto, segundo Larissa Mota, CEO do Grupo Exímia e especialista em folha de pagamento, o grande problema não está na Tecnologia em si, mas na falta de maturidade das empresas para utilizá-la de forma efetiva.
De acordo com a especialista, ferramentas generativas acessíveis, como o ChatGPT, e soluções de automação corporativa fizeram com que a IA deixasse de ser apenas um conceito experimental e passasse a ocupar espaço relevante nas estratégias empresariais. Relatórios internacionais, como o State of AI in the Enterprise, da Deloitte, mostram que a adoção da tecnologia já faz parte da realidade dos negócios em diferentes setores.
Apesar disso, a utilização prática ainda está longe do discurso. Dados recentes mostram que, embora muitas organizações afirmem ter adotado inteligência artificial em alguma área, apenas 46,2% dos profissionais realmente utilizam essas ferramentas com frequência no ambiente de trabalho.
Segundo Larissa, esse cenário evidencia uma lacuna significativa entre acesso e maturidade digital.
“O problema não é a IA. O problema é a capacidade das organizações de absorvê-la com método, responsabilidade e clareza estratégica”, afirma.
Um levantamento global da McKinsey reforça esse cenário ao apontar que apenas cerca de 1% das empresas se considera madura em inteligência artificial. Na avaliação da especialista, o Brasil ainda vive uma fase marcada por iniciativas superficiais e fragmentadas.
“A maioria das organizações testou algum chatbot ou solução pontual, mas esse uso é raso e pouco estratégico. Muitas vezes, virou apenas um verniz de modernização”, destaca.
Entre os principais gargalos enfrentados pelas empresas brasileiras, Larissa aponta a baixa maturidade digital, a ausência de processos estruturados e a falta de integração entre sistemas corporativos.
Sem dados organizados, processos mapeados e integração entre plataformas como ERP, CRM e sistemas de folha de pagamento, as iniciativas de IA acabam restritas a testes isolados e sem impacto relevante no negócio.
Outro problema recorrente é a falta de capacitação das equipes. Segundo a especialista, muitas empresas disponibilizam acesso às ferramentas, mas não oferecem treinamento adequado para que os profissionais utilizem a tecnologia de forma estratégica e produtiva.
Pesquisas internacionais, como estudos da Lifewire, mostram que o crescimento do acesso à IA aconteceu em ritmo muito mais acelerado do que o desenvolvimento de conhecimento técnico dentro das organizações.
Mesmo diante dessas limitações, o discurso sobre inteligência artificial continua crescendo nas empresas. Para Larissa, isso ocorre porque testar ferramentas nunca foi tão simples e acessível.
“Qualquer profissional consegue usar IA em poucos minutos, sem depender de equipes técnicas. Isso cria uma ilusão de avanço, como se experimentar uma ferramenta significasse incorporá-la de fato”, explica.
Ela também destaca que existe uma forte pressão de mercado para que as empresas demonstrem alinhamento com as tendências tecnológicas.
“Big techs, investidores e a própria mídia tratam a IA como inevitável. Muitas organizações preferem parecer preparadas a investir no preparo real”, avalia.
Na visão da executiva, a transformação digital verdadeira exige mais do que campanhas de inovação ou anúncios sobre adoção tecnológica. É necessário investir em governança, integração profunda e maturidade organizacional.
“A pergunta central não é mais o que a IA pode fazer, mas o que as empresas são realmente capazes de fazer com ela”, conclui.
Larissa Mota é advogada, especializada em Relações Trabalhistas e Sindicais pelo Centro Universitário Braz Cubas. Em 2005, fundou o Grupo Exímia, empresa especializada em terceirização de folha de pagamento e gestão de benefícios.






















