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Novo Desenrola surge em meio à alta do endividamento das famílias brasileiras

Juros elevados, spread bancário recorde e renda pressionada aumentam inadimplência e levam governo a ampliar programa de renegociação de dívidas

Taysa Medeiros por Taysa Medeiros
10/05/2026
em Economia
Tempo de leitura: 3 minutos
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Foto:Tomaz Silva

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O aumento do endividamento das famílias brasileiras, impulsionado pela combinação de juros elevados, crédito caro e renda pressionada, levou o governo federal a lançar uma nova etapa do programa Novo Desenrola Brasil. Economistas avaliam que a manutenção da taxa Selic em patamares elevados e os altos spreads bancários praticados no país têm dificultado o equilíbrio financeiro das famílias e comprometido o consumo e a atividade econômica.

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Dados recentes mostram que o Brasil continua entre os países com os juros reais mais altos do mundo. Mesmo após a redução da taxa Selic para 14,5% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o custo do crédito segue extremamente elevado para consumidores e empresas.

Segundo levantamento do site especializado Moneyou, o Brasil possui atualmente a segunda maior taxa de juros reais do planeta, descontada a inflação, com 9,3%, ficando atrás apenas da Rússia, país que enfrenta cenário de guerra.

Além da Selic elevada, especialistas destacam outro fator determinante para o aumento das dívidas das famílias: o spread bancário. O indicador representa a diferença entre os juros pagos pelos bancos para captar recursos e as taxas cobradas nos empréstimos aos consumidores.

Em março de 2026, o spread bancário brasileiro chegou a 34,6 pontos percentuais, acima dos 29,7 pontos registrados no mesmo período do ano passado. Para comparação, o Banco Mundial calcula que a média global do spread esteja próxima de 6 pontos percentuais.

A professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, afirma que a política monetária baseada em juros elevados acaba pressionando diretamente o orçamento das famílias.

Segundo ela, os altos custos dos empréstimos dificultam o funcionamento da economia, reduzem o consumo e ampliam o comprometimento da renda das pessoas com dívidas e financiamentos.

Maria Lourdes também aponta que a precarização das relações de trabalho e a instabilidade da renda agravaram a situação financeira de milhões de brasileiros nos últimos anos.

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“Grande parte das pessoas está se endividando para completar o orçamento, para pagar despesas com saúde e gastos cotidianos”, explicou a economista.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou que o percentual de famílias endividadas no Brasil atingiu 80% em abril, o maior nível da série histórica. Foi o quarto mês consecutivo de crescimento do indicador.

Já o percentual de famílias inadimplentes, com contas em atraso, permaneceu em 29,7%.

As famílias de menor renda seguem sendo as mais afetadas. Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 83,6%, enquanto 38,2% possuem contas atrasadas.

A professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliane Furno, avalia que o Brasil possui uma das estruturas de crédito mais caras do mundo, o que contribui diretamente para o aumento da inadimplência.

Segundo ela, existe uma relação circular entre juros elevados e atraso nos pagamentos: os bancos justificam taxas altas devido ao risco de inadimplência, mas os próprios juros elevados acabam aumentando a dificuldade de pagamento das famílias.

Dados do Banco Central mostram que, em março, a taxa média de juros cobrada das pessoas físicas chegou a 61% ao ano. Para empresas, a média foi de 24%.

No caso do rotativo do cartão de crédito, os juros ultrapassam 400% ao ano, tornando-se uma das modalidades mais caras do sistema financeiro brasileiro.

A professora de economia política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Mello de Malta, explica que a Selic elevada serve como referência para todas as demais taxas da economia.

Segundo ela, quando o trabalhador não consegue quitar o cartão de crédito ou ultrapassa o limite bancário, acaba entrando em um ciclo de endividamento progressivo, recorrendo a novos empréstimos para pagar dívidas anteriores.

Esse efeito, conhecido como “bola de neve financeira”, tem se tornado cada vez mais comum entre famílias brasileiras, especialmente em um cenário de desaceleração econômica e aumento do custo de vida.

Diante desse quadro, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas de famílias, estudantes e pequenos empreendedores.

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A nova etapa da iniciativa terá duração de 90 dias e prevê descontos que podem chegar a 90% sobre os débitos, além de juros reduzidos e possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento das dívidas.

A expectativa do governo é facilitar a recuperação financeira das famílias, estimular o consumo e permitir que milhões de brasileiros voltem a ter acesso ao crédito formal.

Economistas avaliam que programas de renegociação podem aliviar temporariamente o orçamento das famílias, mas ressaltam que o problema estrutural do crédito caro no Brasil continuará exigindo medidas mais amplas para reduzir spreads bancários, ampliar a concorrência no setor financeiro e melhorar as condições de renda e emprego no país.

Com informação Agência Brasil.

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Tags: Banco Centralcréditoeconomiaendividamento das famíliasinadimplênciajuros altosNovo Desenrolarenegociação de dívidasselicspread bancário
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Taysa Medeiros

Taysa Medeiros

Taysa Medeiros é auxiliar de edição e colaboradora do portal Capital Econômico, integrando a equipe de redação sob a supervisão de Kayene Simão. Apaixonada por informação e narrativas que conectam, nas horas livres, ela cultiva dois grandes hobbies: dançar e ler, combinações que traduzem bem sua energia criativa e sensibilidade editorial.

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