Apesar do avanço da participação feminina no mercado de trabalho, mulheres que ocupam cargos de liderança ainda enfrentam desafios relacionados à forma como são percebidas dentro das organizações. Segundo Cáren Cruz, CEO da Pittaco Consultoria e investidora do programa Shark Tank Brasil, muitas profissionais convivem com uma pressão constante para equilibrar diferentes expectativas de comportamento e imagem.
Dados publicados pela Global Economy, com base em informações do Banco Mundial, colocam o Brasil entre os 100 países com maior participação feminina na força de trabalho. O país aparece na 91ª posição do ranking, acima da média global de 51,13%, à frente de nações como Argentina, Chile e México.
Mesmo assim, a ascensão feminina a posições estratégicas ainda encontra obstáculos. Entre os principais desafios estão a desigualdade salarial, a sobrecarga com tarefas domésticas e a baixa representatividade em cargos de liderança.
Para Cáren Cruz, nesse contexto, a chamada “consultoria de imagem identitária” tem se tornado uma ferramenta importante para fortalecer o posicionamento profissional das mulheres.
“A força feminina de trabalho, principalmente as que ocupam espaços de liderança, ainda são colocadas nesse lugar de ter que escolher uma versão aceitável de si mesma. Ou ela é firme demais, ou sensível demais. Ou é vaidosa demais, ou é desleixada. Parece que a mulher está sempre sendo medida por uma régua que muda conforme o ambiente, o cargo e até o tom de voz”, afirma.
Segundo a especialista, elementos como postura, linguagem, comportamento e vestimenta fazem parte de uma leitura social constante dentro do ambiente corporativo. O problema surge quando o mercado associa autoridade a padrões rígidos e muitas vezes incompatíveis com a individualidade feminina.
“Não é sobre parecer poderosa. Na verdade, essa construção gira em torno de sustentar a presença com intenção, e sustentar exige consciência”, explica.
De acordo com a fundadora da Pittaco Academy, existe também uma cobrança silenciosa para que mulheres em posições de liderança provem continuamente competência, firmeza e disponibilidade, o que aumenta a pressão emocional e profissional.
Para ela, o principal desafio está em construir uma presença coerente, sem abrir mão da autenticidade.
“É importante comunicar sensibilidade e capacidade de decisão com firmeza, sem cair em estereótipos. Posicionamento não é só como eu quero ser vista, mas o que da minha história eu preciso parar de esconder para ser lida com mais inteireza. Credibilidade não nasce de uma imagem perfeita, nasce de uma imagem coerente”, conclui.






















