A fluência em inteligência artificial (IA) tem se tornado um critério cada vez mais presente nos processos de recrutamento e seleção no Brasil. A conclusão é de um estudo da plataforma de educação em Tecnologia DIO, que aponta a familiaridade com a tecnologia como uma competência crescente entre as exigências das empresas.
O levantamento, denominado DIO ESG Impact Report 2025, acompanhou movimentações de contratação em 135 empresas brasileiras de diferentes portes ao longo de 2025 e reuniu a percepção de mais de 18 mil participantes, entre recrutadores e educadores.
Segundo o estudo, a capacidade de utilizar ferramentas de inteligência artificial tende a se consolidar como uma habilidade básica no mercado de trabalho entre 2026 e 2029, acompanhando a transformação digital das organizações.
Especialistas, no entanto, avaliam que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para implementar a tecnologia de forma eficiente. De acordo com Bruno Pinheiro, diretor executivo da consultoria Groovia, parte das organizações exige conhecimentos em IA dos profissionais sem que as próprias lideranças estejam preparadas para conduzir essa transformação.
Na avaliação do especialista, esse descompasso pode gerar sobrecarga para as equipes, principalmente quando ferramentas de inteligência artificial são utilizadas sem planejamento ou orientação adequada. Segundo ele, tarefas delegadas a agentes de IA sem instruções claras frequentemente exigem revisão humana, reduzindo os ganhos de produtividade esperados.
Pinheiro defende que a adoção da inteligência artificial deve ser acompanhada por programas de capacitação voltados inicialmente às lideranças, seguidos pela definição de estratégias de uso da tecnologia e pela criação de regras de governança para garantir segurança, conformidade regulatória e supervisão das atividades executadas por sistemas automatizados.
Mercado de trabalho passa por transformação
As conclusões do estudo da DIO estão alinhadas às tendências apontadas pelo relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial. O documento estima que a inteligência artificial, juntamente com a transição para uma economia mais sustentável, poderá criar cerca de 170 milhões de novos empregos até 2030, enquanto aproximadamente 92 milhões de funções deverão ser transformadas ou substituídas, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de postos de trabalho.
O relatório também indica que habilidades relacionadas ao uso da inteligência artificial, pensamento analítico, aprendizagem contínua e adaptação às mudanças estarão entre as competências mais valorizadas pelos empregadores nos próximos anos.
Especialistas destacam que a tendência não é a substituição integral dos trabalhadores pela tecnologia, mas a reorganização das atividades profissionais, com maior integração entre pessoas e sistemas de inteligência artificial. Nesse cenário, o papel das lideranças passa a incluir a coordenação de equipes híbridas, formadas por profissionais e ferramentas automatizadas, exigindo novas competências de gestão e planejamento.






















