A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu o processo de transferência de Tecnologia para a produção nacional do dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Brasil. O remédio é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é utilizado por mais de 770 mil pessoas que vivem com o vírus no país.
O processo de nacionalização da produção teve início em 2020, por meio de um acordo entre a farmacêutica ViiV Healthcare, responsável pelo desenvolvimento do medicamento, e o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz). O objetivo é reduzir a dependência da produção externa e fortalecer a capacidade de fabricação nacional do antirretroviral.
Segundo a Fiocruz, Farmanguinhos realizou investimentos em infraestrutura, aquisição de equipamentos, capacitação de profissionais e adequações técnicas e regulatórias para internalizar todas as etapas da produção. A fabricação está concluída, e o fornecimento ao SUS depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Desde 2022, Farmanguinhos já é responsável pela distribuição do dolutegravir ao SUS, utilizando medicamentos produzidos em unidades da GSK. Nesse período, mais de 739 milhões de comprimidos foram fornecidos à rede pública de saúde. Em 2025, o instituto também passou a realizar o controle de qualidade laboratorial do medicamento.
De acordo com a Fiocruz, três lotes do dolutegravir já foram produzidos e validados. Eles poderão ser distribuídos assim que a Anvisa conceder a autorização para a fabricação nacional. Paralelamente, o instituto finaliza a validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
Produção de combinação terapêutica está prevista para 2027
O acordo de transferência de tecnologia também prevê a produção nacional do medicamento combinado de dolutegravir e lamivudina, outro tratamento amplamente utilizado pelo SUS. A expectativa é que essa etapa seja iniciada em 2027.
Medicamento é recomendado pela OMS
O dolutegravir é considerado um dos principais medicamentos para o tratamento do HIV no mundo. O fármaco atua bloqueando a enzima integrase, impedindo que o vírus se multiplique nas células do organismo. Com isso, reduz a carga viral, fortalece o sistema imunológico e diminui o risco de progressão da infecção para a Aids.
Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o dolutegravir como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para pessoas vivendo com HIV, incluindo gestantes e pessoas com potencial para engravidar, devido à sua eficácia e ao perfil de segurança.
Com informação Agência Brasil.






















