O mercado farmacêutico brasileiro segue em expansão, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da demanda por tratamentos e pela ampliação do consumo de medicamentos. Um dos reflexos desse cenário foi o crescimento de 14% no valor das importações de medicamentos até maio de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Valor Econômico.
O avanço mantém uma tendência observada nos últimos três anos, período em que o Brasil registrou aumentos anuais de dois dígitos nas importações de medicamentos, comportamento visto anteriormente apenas durante a pandemia de covid-19.
Ao mesmo tempo, o déficit da balança comercial do setor atingiu aproximadamente US$ 13 bilhões em 2025, resultado da demanda interna crescente, que ainda supera a capacidade de produção da indústria farmacêutica nacional.
Envelhecimento da população impulsiona consumo
Entre os fatores que explicam o crescimento do mercado está a mudança no perfil demográfico do país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a população com 40 anos ou mais passou de 37% em 2021 para 43,9% no primeiro trimestre de 2026.
Além disso, os brasileiros com 60 anos ou mais já somam mais de 34 milhões de pessoas, grupo que, em geral, demanda maior acompanhamento médico e consumo de medicamentos.
O fortalecimento do setor também está relacionado à ampliação da oferta de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), à expansão das redes de farmácias, ao crescimento dos serviços farmacêuticos e à maior conscientização da população sobre prevenção e tratamento de doenças crônicas.
Mercado amplia oportunidades de trabalho
O crescimento do setor farmacêutico também vem refletindo no mercado de trabalho. Com o aumento do número de estabelecimentos e da circulação de medicamentos, cresce a procura por profissionais capacitados para atuar em farmácias e drogarias.
As oportunidades concentram-se principalmente em atividades como atendimento ao público, organização de medicamentos, controle de estoque, leitura de receitas, orientação inicial aos clientes e apoio às equipes farmacêuticas.
Segundo Jéssica Giustino, superintendente do Centro Brasileiro de Cursos (CEBRAC), a qualificação profissional tem se tornado um diferencial para quem busca ingressar na área.
“O crescimento do mercado farmacêutico não significa apenas mais medicamentos circulando, mas também uma demanda crescente por profissionais preparados para atender o público com responsabilidade e conhecimento básico sobre a rotina das farmácias. Hoje, as empresas procuram pessoas que consigam iniciar a operação com mais segurança e compreensão dos processos, e a qualificação prática faz toda a diferença nesse momento”, afirma.
De acordo com a especialista, a formação busca preparar os alunos para a realidade das farmácias, abordando conteúdos como organização de medicamentos, atendimento ao cliente, leitura de receitas, noções de legislação sanitária, controle de estoque e boas práticas no ambiente farmacêutico.
“A área farmacêutica oferece oportunidades para quem busca o primeiro emprego, deseja mudar de carreira ou procura um setor com demanda constante. Mais do que ensinar conteúdos técnicos, o objetivo é preparar o aluno para as exigências do mercado”, destaca.
Expectativa é de crescimento contínuo
A combinação entre envelhecimento da população, aumento do consumo de medicamentos e expansão das redes farmacêuticas deve manter o setor em crescimento nos próximos anos.
A expectativa é que o segmento continue ampliando a oferta de empregos, consolidando-se como uma das áreas com maior potencial de empregabilidade dentro do varejo e dos serviços de saúde.






















