Uma pesquisa realizada pela consultoria Plano CDE aponta que a revogação da chamada “taxa das blusinhas” não deve provocar uma migração significativa dos consumidores brasileiros para plataformas internacionais de Comércio eletrônico. Segundo o levantamento, 87% dos entrevistados afirmaram que pretendem manter ou aumentar o volume de compras em lojas nacionais mesmo sem a incidência do imposto de importação sobre encomendas de até US$ 50.
O estudo foi encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) e realizado em junho de 2026 com 1,5 mil pessoas, em uma amostra representativa da população adulta brasileira com acesso à internet.
De acordo com a pesquisa, 66% dos entrevistados disseram que pretendem manter o volume de compras em lojas nacionais, enquanto 21% afirmaram que planejam aumentar as aquisições nesses estabelecimentos.
Em relação às plataformas internacionais de comércio eletrônico, 50% dos consumidores declararam que pretendem ampliar as compras caso a revogação do imposto seja confirmada pelo Congresso Nacional. Outros 39% afirmaram que manterão o atual volume de compras nesses sites.
Maioria é contrária ao imposto
O levantamento também mostrou que 70% dos entrevistados são contrários à cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Entre os consumidores das classes C, D e E, a rejeição à tributação chega a 71%, enquanto entre as classes A e B o percentual é de 65%.
Além disso, 58% dos participantes consideram que o imposto prejudicou principalmente os consumidores de menor renda e beneficiou grandes empresas. Outros 56% avaliam que a medida não contribuiu para fortalecer o comércio nacional.
Congresso decidirá futuro da tributação
A chamada “taxa das blusinhas” corresponde ao imposto de importação de 20% aplicado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em plataformas de comércio eletrônico.
A cobrança entrou em vigor em agosto de 2024 e foi revogada por meio da Medida Provisória nº 1.357/2026, publicada em maio deste ano. Como toda medida provisória, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional até 8 de setembro para que a revogação se torne definitiva.
Caso a medida não seja apreciada dentro do prazo constitucional, o imposto voltará a ser cobrado.
Segundo informações divulgadas pela Amobitec, a proposta recebeu 112 emendas parlamentares e ainda aguarda a instalação da comissão mista responsável pela análise do texto antes da votação no Congresso Nacional.
A entidade também ressalta que a eventual extinção do imposto de importação não elimina a tributação sobre compras internacionais, que continuam sujeitas à cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Além disso, a partir da implementação da Reforma Tributária, está prevista a incidência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), conforme as novas regras do sistema tributário brasileiro.






















