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Home Política

Câmara aprova texto-base do projeto de lei antifacção

Governo crítica mudanças e quer retomar versão original no Senado

Redação por Redação
19/11/2025
em Política
Tempo de leitura: 3 minutos
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do Projeto de Lei Antifacção, elaborado pelo Governo do Brasil, no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do Projeto de Lei Antifacção, elaborado pelo Governo do Brasil, no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

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A Câmara dos Deputados aprovou, por 370 votos a 110, o texto-base do Projeto de Lei 5582/2025, que endurece o combate ao crime organizado no país. A votação ocorreu nesta terça-feira (18), após o relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentar cinco versões de substitutivo. As mudanças alteraram pontos centrais da proposta encaminhada originalmente pelo governo federal.

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O texto aprovado define penas mais altas para membros de facções e prevê a apreensão de bens de investigados, mas governistas afirmam que a versão atual “desconfigura” o projeto, reduz a autonomia da Polícia Federal e cria brechas que podem beneficiar organizações criminosas.

Os parlamentares ainda analisam destaques que podem modificar trechos da proposta, que seguirá depois para o Senado.

Governo promete reverter mudanças no Senado

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que a base governista irá trabalhar para recuperar a redação original do Executivo.

“Vamos lutar para retomar esse texto original no Senado. Queremos restaurar o propósito do governo no combate às facções criminosas”, declarou.

O parlamentar lembrou que a proposta original foi resultado de mais de seis meses de estudos técnicos.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também criticou o substitutivo, dizendo que ele cria uma ação civil pública que “protelaria o confisco de bens” e prejudica investigações ao descapitalizar a Polícia Federal. Pelo parecer aprovado, a parcela destinada à PF seria transferida para o Fundo Nacional de Segurança Pública.

Outra crítica do governo é que a proposta permite que o Estado só assuma o patrimônio do crime após o fim da ação penal, o que pode levar anos.

Defesa do relator e apoios

Derrite argumentou que o país enfrenta um cenário que exige “legislação de guerra em tempo de paz”. Ele sustentou que o texto fortalece a capacidade do Estado de atingir financeiramente facções criminosas.

O deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) apoiou o relatório, afirmando que a medida é necessária para viabilizar a recuperação de bens:

“Ainda ouvimos discursos de que estamos defendendo corruptos de colarinho branco ou banqueiros. Isso não condiz com a realidade.”

O que prevê o texto aprovado

Entre os principais pontos, o substitutivo estabelece:

Ler  Ex-presidente tentou romper a tornozeleira eletrônica antes de ser preso, diz decisão do STF

Penas mais altas

  • 20 a 40 anos para membros de facções ou milícias.
  • Até 66 anos para líderes de organizações criminosas.
  • Aumento de 85% no tempo necessário para progressão de regime.
  • Proibição de graça, anistia, indulto ou liberdade condicional para integrantes dessas organizações.

Apreensão de bens

Permite a apreensão prévia de patrimônio de investigados e possível perdimento antes da decisão final da Justiça em certos casos.

Ministério Público e GAECO

O texto reforça a autonomia do MP em investigações, prevendo sua participação em forças-tarefas por meio de Procedimentos Investigatórios Criminais liderados pelos GAECOs.

Novo conceito: organização criminosa ultraviolenta

A criação dessa classificação gerou críticas por possível insegurança jurídica, mas foi mantida no texto.

Audiência de custódia e julgamento

  • Audiências de custódia devem ocorrer preferencialmente por videoconferência, salvo decisão fundamentada.
  • Homicídios cometidos por facções serão julgados por colegiados, e não mais pelo tribunal do júri.

Votação mantida por decisão da Presidência da Câmara

A base governista chegou a pedir a retirada da matéria da pauta, argumentando que o substitutivo distorcia o projeto original. O pedido foi rejeitado por 316 votos a 110.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a manutenção da votação e classificou o texto como “a resposta mais dura da história da Casa” contra o crime organizado.

“Chefes de facções irão diretamente para presídios federais. Encontros com advogados serão gravados. Não haverá visitas íntimas”, afirmou.

Motta ressaltou que, embora o projeto enviado pelo Executivo apresentasse avanços, era necessário incorporar contribuições de outras bancadas e especialistas.

A Câmara denominou o substitutivo como “Marco Legal de Enfrentamento ao Crime Organizado”.

Com informações da Agência Brasil

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Tags: camara dos deputadoslei antifaccao
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