O dólar comercial fechou a sessão desta sexta-feira (28) cotado a R$ 5,196, com alta de 0,62%, influenciado pela valorização da moeda norte-americana no exterior após declarações consideradas mais rígidas do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sobre a inflação nos Estados Unidos.
A moeda chegou a atingir R$ 5,23 durante o pregão, alta de 1,30%, antes de reduzir parte dos ganhos. Na semana, o dólar acumulou valorização de 1,06%. No acumulado de 2026, porém, a moeda ainda registra queda de 5,34%.
A reação ocorreu após o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole, encontro anual que reúne dirigentes de bancos centrais. O presidente do Fed afirmou que a autoridade monetária ainda terá trabalho a fazer caso não haja confiança de que a inflação esteja retornando de forma clara e suficientemente rápida à meta de 2%.
A declaração aumentou as expectativas de que o Federal Reserve possa adotar uma postura mais restritiva em relação aos juros. Com isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram, favorecendo o dólar.
O rendimento do título de dois anos do Tesouro norte-americano, que é particularmente sensível às expectativas para a política monetária, chegou a 4,35%.
Mercado de trabalho influencia expectativas no Brasil
No mercado brasileiro, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também influenciaram as projeções para a política monetária.
O país criou 58.568 empregos formais em julho, resultado abaixo das estimativas de instituições financeiras. O desempenho reforçou a percepção de desaceleração do mercado de trabalho e aumentou as apostas de que o Banco Central poderá iniciar uma redução da taxa Selic em setembro.
A expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14% para 13,75% ao ano, com possibilidade de uma nova redução em novembro.
Nos Estados Unidos, a taxa básica de juros está atualmente na faixa de 3,50% a 3,75%. A diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos influencia o fluxo internacional de recursos e pode afetar o comportamento do câmbio.
Ibovespa registra oitava alta consecutiva
Apesar do cenário externo desfavorável, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos. O principal índice da B3 chegou a superar os 176 mil pontos durante a manhã, mas perdeu força após a divulgação do discurso de Warsh.
Foi a oitava sessão consecutiva de valorização do índice. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 2,71%. Em agosto, entretanto, registra queda de 1,31%. No acumulado de 2026, a valorização chega a 9,02%.
Dados da B3 indicam que os investidores estrangeiros registraram entrada líquida de recursos nos quatro pregões anteriores, acumulando R$ 1,3 bilhão nesse período. No mês de agosto, porém, o fluxo estrangeiro ainda apresenta saldo negativo de R$ 18,7 bilhões.
Bolsas dos Estados Unidos fecham em queda
Em Nova York, os principais índices acionários encerraram a sessão em baixa, refletindo a possibilidade de uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve.
O Dow Jones recuou 0,02%, aos 53.559,99 pontos. O S&P 500 caiu 0,25%, para 7.711,73 pontos. O Nasdaq, que reúne principalmente empresas de Tecnologia, teve a maior queda entre os três índices, de 0,52%, aos 26.402,42 pontos.
A alta dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos reduziu o apetite dos investidores por ativos considerados mais arriscados e pressionou as bolsas do país.
Fonte:Agência Brasil






















