A startup brasileira de Tecnologia jurídica Enter alcançou valuation de US$ 1,2 bilhão após concluir uma rodada de investimentos de US$ 100 milhões, consolidando-se entre as novas empresas unicórnio da América Latina em meio ao avanço global da inteligência artificial aplicada ao setor jurídico.
A rodada foi liderada pela Founders Fund, com participação da Sequoia Capital e da Ribbit Capital.
Com sede em São Paulo, a Enter desenvolve soluções de inteligência artificial voltadas à automação de processos judiciais, especialmente em ações de consumo e trabalhistas — áreas marcadas pelo alto volume de litígios no Brasil.
IA aplicada à automação de processos jurídicos
Fundada em 2023 por Mateus Costa-Ribeiro, Michael Mac-Vicar e Henrique Vaz, ex-executivos da Wildlife Studios, a companhia aposta no uso de agentes de IA para automatizar praticamente todas as etapas de um processo judicial.
Segundo o CEO Mateus Costa-Ribeiro, a tecnologia atua desde a elaboração de peças jurídicas até cálculos de acordos e análise contextual de informações relevantes para disputas judiciais.
Em entrevista à Bloomberg, o executivo afirmou que “cada etapa que você pode imaginar em um caso judicial é primeiro conduzida por um agente de IA antes de envolver um humano”.
A empresa também desenvolve integrações específicas para conectar sua plataforma aos sistemas internos de grandes companhias, muitas vezes considerados antigos ou fragmentados.
Clientes de grande porte e expansão acelerada
Atualmente, a Enter atende mais de 45 clientes corporativos, incluindo Airbnb, Azul, Bradesco, LATAM Airlines, Mercado Livre e Nubank.
A startup já administra mais de 300 mil processos por ano e atua principalmente em setores regulados, como financeiro e aviação.
Seu modelo de negócios combina cobrança antecipada pelo uso da tecnologia com remuneração variável atrelada ao sucesso dos processos. Segundo a empresa, aproximadamente 30% da receita depende do desempenho obtido nos casos.
Mercado de IA jurídica atrai capital global
A ascensão da Enter ocorre em meio ao crescimento global do setor de legal tech impulsionado por inteligência artificial. Empresas como Harvey e Legora também alcançaram avaliações bilionárias recentemente.
Ao mesmo tempo, desenvolvedoras de IA como a Anthropic PBC vêm ampliando presença no segmento corporativo jurídico, acelerando a disputa por soluções voltadas à automação de tarefas complexas.
Emergentes ganham relevância na corrida global da IA
O investimento reforça uma tendência mais ampla observada nos mercados emergentes, onde startups de tecnologia começam a ocupar posições mais estratégicas no cenário global de inovação.
Historicamente vistos como consumidores de tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos e Europa, países emergentes passam a produzir empresas capazes de competir globalmente em setores de alto valor agregado, atraindo capital internacional e ampliando relevância em áreas como inteligência artificial, infraestrutura digital e automação empresarial.
Para investidores, mercados como o Brasil oferecem uma combinação de escala operacional, desafios estruturais complexos e alta digitalização — fatores que criam ambiente favorável para o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicáveis também em outros mercados internacionais.






















