Empresas que lidam com grandes volumes de processos precisam analisar, de forma cada vez mais eficiente, as informações presentes em cada ação. Em um cenário de crescente digitalização do Poder Judiciário, esse trabalho se torna ainda mais desafiador, especialmente diante da quantidade de documentos e dados que precisam ser acompanhados diariamente. Nesse contexto, como as empresas podem utilizar a Tecnologia para identificar possíveis inconsistências nos processos
O volume de processos ajuda a dimensionar esse desafio. Segundo Marcelo Guedes Nunes, presidente da Associação Brasileira de Jurimetria, a Justiça brasileira recebe cerca de 40 milhões de novos processos por ano. O número evidencia a quantidade de informações que precisam ser analisadas e gerenciadas diariamente pelo sistema de Justiça.
Durante o seminário “O Judiciário em Debate”, realizado no dia 17 de agosto, foi discutido como a inteligência artificial pode contribuir para tornar a Justiça mais eficiente e célere. Nunes trouxe ao debate o caso de um juiz que utilizou recentemente uma ferramenta de IA para analisar suas próprias sentenças e identificou uma série de contradições que não havia percebido anteriormente, incluindo diferenças nos cálculos para correção de débitos judiciais.
“O caso evidencia que a inteligência artificial não serve somente para automatizar tarefas, mas também pode atuar como uma segunda camada de análise, ajudando profissionais a identificar informações divergentes e proporcionando uma revisão mais aprofundada”, afirma Tainara Rodrigues, Analista de Operações Jurídicas | Recuperação de Crédito.
Para empresas que administram milhares de processos simultaneamente, essa aplicação pode ser especialmente relevante. Quanto maior o volume de processos e informações a serem analisados, maior também é o desafio de identificar pequenas inconsistências que podem passar despercebidas em uma análise convencional.
“Na prática, a inteligência artificial pode auxiliar na conferência de informações, na identificação de dados divergentes e na comparação entre documentos e processos semelhantes, sinalizando pontos que mereçam uma revisão mais detalhada. Essa atuação pode ocorrer em diferentes etapas de um processo, contribuindo para uma gestão mais eficiente das informações”, explica Tainara.
Para as empresas, o uso da tecnologia pode trazer ganhos de eficiência, otimizar o tempo das equipes e contribuir para uma atuação mais estratégica dos profissionais envolvidos na gestão processual. Ao receber indicações de situações que podem exigir atenção, as equipes conseguem direcionar seus esforços para análises que demandam conhecimento jurídico e tomada de decisão.
“Em vez de substituir profissionais, a IA pode ocupar um papel de apoio à gestão processual. Com supervisão humana, a tecnologia pode trabalhar lado a lado com as equipes, auxiliando na identificação de informações que poderiam passar despercebidas diante do grande volume de processos. O desafio, portanto, não está apenas em adotar novas tecnologias, mas em utilizá-las de maneira estratégica para ampliar a capacidade de análise e tornar a gestão processual mais eficiente”, conclui Tainara Rodrigues.






















