O comércio mineiro voltou a apresentar sinais de recuperação em março de 2026, enquanto os setores de serviços e turismo seguem enfrentando dificuldades em Minas Gerais. A avaliação é do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, com base nos dados divulgados pelo IBGE.
Segundo o levantamento, o desempenho da economia mineira segue desigual entre os principais segmentos, com destaque positivo para o varejo ampliado.
Comércio mineiro cresce acima da média nacional
O varejo ampliado em Minas Gerais avançou 11% em março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, resultado superior à média nacional, que ficou em 6,5%.
No acumulado do ano, o crescimento do setor chegou a 5,1%, impulsionado principalmente pelos segmentos de:
- atacado de alimentos;
- bebidas e fumo;
- veículos;
- motocicletas.
Já o varejo restrito registrou alta de 5% na comparação anual.
Segundo Fernanda Gonçalves, mesmo diante do cenário de juros elevados e crédito mais restrito, o comércio mineiro demonstra capacidade de reação.
“O consumidor segue mais seletivo, priorizando gastos essenciais, mas alguns segmentos vêm respondendo de forma positiva, impulsionados por fatores sazonais, possíveis renegociações de dívidas e melhora gradual da confiança”, afirma.
Setor de serviços acumula retrações consecutivas
Enquanto o comércio apresentou recuperação, o setor de serviços manteve trajetória de desaceleração em Minas Gerais.
O volume de serviços caiu 0,7% em março frente ao mês anterior, acumulando quatro retrações consecutivas nessa base de comparação.
No acumulado de 2026, o setor registra queda de 1,6%, enquanto o Brasil apresenta crescimento de 2,3%.
Entre os segmentos mais pressionados estão:
- serviços profissionais;
- serviços administrativos;
- transportes.
Para Fernanda Gonçalves, o cenário reflete os impactos do ambiente macroeconômico mais restritivo.
“Os juros elevados reduzem a demanda, aumentam o custo operacional das empresas e limitam uma recuperação mais consistente do setor de serviços em Minas Gerais”, explica.
Turismo mineiro registra pior desempenho entre estados analisados
O turismo também segue em retração no estado.
Segundo os dados analisados pela Fecomércio MG, o volume de atividade turística em Minas Gerais caiu 2,8% em março frente a fevereiro e recuou 8,1% na comparação com março de 2025.
No acumulado de 12 meses, Minas apresenta queda de 6,3%, enquanto o Brasil registra crescimento de 3,5%.
O estado teve o pior desempenho entre os estados analisados nessa base de comparação.
Juros altos e endividamento afetam consumo
Para a economista da Fecomércio MG, o desempenho negativo do turismo está relacionado à redução do consumo das famílias e ao aumento dos custos ligados ao setor.
“A atividade turística mineira ainda enfrenta um ambiente de demanda mais contida e recuperação lenta, especialmente diante da redução do consumo das famílias causada pelas elevadas taxas de juros, além do aumento das passagens aéreas e dos combustíveis, que dificultam a logística turística”, afirma.
A avaliação da entidade aponta que a economia mineira segue diretamente impactada pelo atual cenário de juros elevados, hoje em 14,5% ao ano, além do alto nível de endividamento das famílias brasileiras.
Mesmo assim, o comércio demonstra maior capacidade de sustentação no curto prazo, enquanto serviços e turismo continuam enfrentando um ambiente econômico mais desafiador.






















