As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos importados voltaram a acender o alerta entre empresas brasileiras exportadoras e investidores. A medida, que encarece produtos estrangeiros no mercado americano, pode reduzir a competitividade de diversos setores brasileiros, ao mesmo tempo em que fortalece a busca por ativos considerados mais defensivos na Bolsa de Valores.
Segundo Gabriel Eisner, sócio e consultor financeiro da Mhydas Planejamento Financeiro, a política tarifária funciona, na prática, como um imposto sobre os produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.
“Quando um produto importado fica mais caro, sua competitividade diminui. Isso tende a reduzir a demanda por produtos brasileiros em setores mais expostos ao mercado americano, aumentando a volatilidade dessas empresas no mercado financeiro”, explica.
Produtos podem ficar mais caros para consumidores americanos
De acordo com o especialista, a tendência é que parte do aumento de custos provocado pelas tarifas seja repassada ao consumidor final nos Estados Unidos, contribuindo para pressões inflacionárias.
Entre os produtos brasileiros que ficaram de fora das novas tarifas estão carne, café e itens da indústria aeronáutica, que devem sofrer impactos limitados. Já milhares de outros produtos exportados para o mercado americano poderão enfrentar maior dificuldade para competir em preço.
Segundo Eisner, nem todas as empresas conseguirão absorver integralmente o aumento de custos.
“O repasse da tarifa depende da estratégia de cada empresa, do nível de concorrência e da sensibilidade dos consumidores aos preços. Em muitos casos, parte do custo será absorvida pelas empresas e parte será repassada ao consumidor”, afirma.
Política tarifária pode influenciar juros nos Estados Unidos
Na avaliação do consultor, o aumento dos preços provocado pelas tarifas também pode afetar a política monetária norte-americana.
Caso a inflação ganhe força, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, poderá manter juros elevados por mais tempo ou até promover novos aumentos para conter a alta dos preços.
Esse cenário tende a impactar não apenas a economia americana, mas também mercados emergentes, como o Brasil.
Exportadoras enfrentam maior volatilidade
O especialista destaca que empresas brasileiras com forte dependência das exportações para os Estados Unidos tendem a registrar maior instabilidade diante do novo cenário.
Setores como siderurgia, mineração e indústria do aço podem sofrer pressão caso a demanda americana diminua ou importadores busquem fornecedores em outros países.
“Em um mercado globalizado, poucos produtos possuem dependência exclusiva do Brasil. Diante de preços mais elevados, é natural que compradores americanos procurem alternativas em outros mercados ou ampliem a produção doméstica”, observa.
Empresas voltadas ao mercado interno podem ganhar espaço
Enquanto companhias exportadoras enfrentam um ambiente de maior incerteza, empresas com receitas concentradas no mercado interno tendem a ser vistas como opções mais resilientes pelos investidores.
Segundo Gabriel Eisner, setores como bancos, energia elétrica e saneamento básico costumam apresentar menor exposição às oscilações do comércio internacional.
“Em períodos de maior turbulência global, empresas ligadas ao mercado doméstico costumam ganhar atratividade por apresentarem receitas mais previsíveis e menor dependência das exportações”, explica.
Na avaliação do especialista, companhias dos segmentos de utilidade pública podem atrair parte dos investimentos que deixam setores mais sensíveis às mudanças no comércio internacional.
Empresas devem avaliar estratégias de adaptação
Para o consultor, as companhias afetadas pelas tarifas precisarão analisar cuidadosamente sua estratégia comercial antes de decidir como lidar com o aumento dos custos.
Entre as alternativas estão absorver parte das tarifas para preservar competitividade, reajustar preços gradualmente ou buscar novos mercados para reduzir a dependência das exportações aos Estados Unidos.
Segundo Eisner, o resultado dependerá das características de cada setor e da capacidade das empresas de se adaptar às novas condições do comércio internacional.






















