Um estudo realizado pela Company Hero em parceria com a Opinion Box revelou que 71% dos profissionais Pessoa Jurídica (PJ) que atuam no ambiente corporativo escolheram esse modelo de contratação por iniciativa própria ou por negociação direta com as empresas.
Segundo o levantamento, 27% dos entrevistados afirmaram que o modelo PJ foi sugerido pelo próprio profissional, enquanto 44% disseram que a contratação ocorreu após negociação mútua entre as partes.
A pesquisa traça um panorama sobre o perfil, expectativas e desafios enfrentados pelos profissionais PJ no mercado corporativo brasileiro.
Autonomia e remuneração lideram motivações
Entre os principais motivos apontados para atuar como PJ, a maior autonomia na carreira aparece em primeiro lugar, mencionada por 26% dos participantes.
Outros fatores destacados foram:
- possibilidade de remuneração mais elevada (23%);
- flexibilidade de horários (13%);
- liberdade profissional;
- maior poder de negociação.
Segundo Miklos Grof, o modelo PJ deixou de ser visto apenas como alternativa precária e passou a representar uma escolha estratégica para muitos profissionais.
“A contratação PJ no ambiente corporativo não pode mais ser analisada apenas sob a ótica da precarização. O que vemos é um contingente relevante de profissionais seniores fazendo escolhas conscientes para buscar o melhor retorno”, afirma.
Modelo PJ cresce em cargos estratégicos
O estudo mostra que a contratação via CNPJ tem forte presença em posições estratégicas e de liderança nas empresas.
Entre os entrevistados:
- 59% ocupam cargos de coordenação, gerência ou liderança;
- 34% atuam em posições de diretoria ou C-level.
Os dados indicam que o modelo vem sendo utilizado não apenas para funções operacionais, mas também para retenção de profissionais especializados e executivos.
Benefícios ainda são principal ponto de insatisfação
Apesar da percepção positiva sobre autonomia e remuneração, a pesquisa identificou um descompasso relevante entre expectativas dos profissionais PJ e os benefícios oferecidos pelas empresas.
O plano de saúde apareceu como principal demanda dos entrevistados:
- 79% consideram o benefício prioritário;
- 48% o apontam como principal necessidade;
- apenas 6% recebem auxílio relacionado à saúde.
Outros benefícios desejados incluem:
- vale-refeição e alimentação (66%);
- bônus por performance (64%);
- pagamento de férias (63%);
- seguro de vida (62%);
- previdência privada (60%).
Segundo o levantamento, 66% dos profissionais PJ não recebem nenhum benefício adicional além da remuneração mensal.
Profissionais acreditam que benefícios reduzem conflitos trabalhistas
A pesquisa também mostrou que 87% dos entrevistados acreditam que remuneração adequada e benefícios ajudam a reduzir riscos de disputas trabalhistas entre empresas e profissionais PJ.
Para os participantes, relações mais transparentes, equilibradas e bem estruturadas tendem a gerar menos conflitos do que tentativas de reproduzir vínculos tradicionais sem formalização adequada.
“O mercado está evoluindo e entendendo que estender benefícios também aos profissionais PJ pode ser parte de uma estratégia importante para atração e retenção de talentos”, afirma Miklos Grof.
“A empresa que ignora isso não está economizando, está apenas perdendo os melhores profissionais para a concorrência”, completa.
Flexibilidade ainda varia entre empresas
Outro ponto analisado foi a autonomia dos profissionais em relação à rotina de trabalho.
Segundo o estudo:
- 31% afirmam ter liberdade total sobre horários e organização;
- 33% relatam que as empresas estabelecem horários fixos e diretrizes específicas;
- 36% dizem possuir flexibilidade parcial, apesar de metas e coordenação.
A avaliação de desempenho também faz parte da realidade da maioria dos profissionais PJ:
- 25% recebem avaliações formais periódicas;
- 50% recebem feedbacks informais frequentes.
STF deve definir limites da pejotização
O debate sobre contratação PJ continua em discussão no meio jurídico e empresarial.
Embora a terceirização de atividades-fim seja permitida desde 2017, o Supremo Tribunal Federal ainda deverá se manifestar sobre os limites da chamada pejotização ao longo de 2026.
O estudo da Company Hero foi realizado entre outubro de 2025 com profissionais PJ de todo o Brasil por meio de pesquisa quantitativa online.






















