O Acelerador de Transição Industrial (ITA), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a Systemiq, lançou um novo informativo sobre os desafios e oportunidades para financiar projetos de descarbonização industrial no Brasil.
O documento, intitulado “Financiando Projetos de Descarbonização Industrial no Brasil”, apresenta soluções para acelerar investimentos em tecnologias limpas e reduzir emissões em setores industriais de grande impacto ambiental.
Projetos de eficiência ganham destaque na transição verde
Segundo o relatório, embora o debate global esteja frequentemente concentrado em megaprojetos, como usinas de hidrogênio verde bilionárias, existe uma oportunidade mais imediata e viável em projetos de eficiência e otimização industrial.
Entre os exemplos citados estão:
- substituição de combustíveis em fábricas de cimento;
- eletrificação de caldeiras na produção de alumina;
- modernização de processos industriais;
- redução de consumo energético em plantas existentes.
O ITA avalia que esses projetos exigem investimentos menores, possuem cronogramas mais curtos e apresentam menos riscos financeiros do que grandes projetos estruturais.
Brasil precisará investir até US$ 85 bilhões por ano
O levantamento estima que os setores industrial e energético brasileiros precisarão receber entre US$ 60 bilhões e US$ 85 bilhões anuais até 2033 para atender às metas de transição climática.
Segundo Faustine Delasalle, muitos projetos já possuem viabilidade técnica, mas enfrentam barreiras financeiras.
“O Brasil tem uma oportunidade clara de reduzir as emissões industriais no curto prazo. Nossa análise mostra que, para certos projetos, as barreiras ao investimento não são tecnológicas, mas financeiras”, afirma.
Financiamento mais barato é apontado como principal solução
O informativo destaca o financiamento de menor custo como principal ferramenta para acelerar investimentos verdes na indústria.
Entre as fontes citadas estão:
- bancos multilaterais de desenvolvimento;
- agências de crédito à exportação;
- BNDES;
- FINEP;
- Fundo Clima.
Segundo o estudo, enquanto a taxa básica de juros brasileira permanece próxima de 15% ao ano, algumas linhas específicas oferecem custos significativamente menores.
As linhas da FINEP e do programa BNDES Mais Inovação operam com juros entre 3,7% e 3,9% ao ano. Já o Fundo Clima Direto apresenta taxas próximas de 7,4%.
O relatório aponta que o orçamento do Fundo Clima ultrapassou R$ 11 bilhões em 2025.
Modelo “as-a-service” surge como alternativa
Outra estratégia destacada pelo ITA é o modelo chamado “Sustentabilidade-as-a-service”.
Nesse formato, empresas terceirizadas financiam, instalam e operam ativos de descarbonização para indústrias, cobrando posteriormente uma taxa de serviço.
O modelo permite que empresas implementem soluções sustentáveis sem necessidade de realizar altos investimentos diretos de capital.
Governo vê transição verde como oportunidade competitiva
Para Julia Cruz, os projetos apoiados pelo ITA estão alinhados ao processo de “neoindustrialização verde” do Brasil.
“Este informativo fornece insights práticos sobre como a indústria nacional pode ajudar o Brasil a cumprir seus compromissos sob o Acordo de Paris hoje, mantendo-se competitiva”, afirma.
Plano Safra é citado como referência para indústria
O estudo também aponta que o Brasil poderá precisar construir um ecossistema de financiamento industrial semelhante ao modelo adotado no agronegócio por meio do Plano Safra.
Segundo o relatório, o Plano Safra 2024/2025 destinou mais de R$ 400 bilhões ao setor agrícola, permitindo que o mercado privado movimentasse mais de R$ 1,2 trilhão em crédito.
A avaliação é que mecanismos semelhantes poderiam impulsionar investimentos industriais ligados à descarbonização e à modernização produtiva.






















