O investimento em cultura vem ganhando destaque como ferramenta estratégica de desenvolvimento econômico e social no Brasil. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), encomendados pelo Ministério da Cultura (MinC), mostram que cada R$ 1 aplicado em projetos culturais pode retornar até R$ 7,59 para a economia, representando ganhos superiores a 659%.
O cenário acompanha uma tendência global. Segundo a UNESCO, os setores culturais e criativos já representam 6,1% da economia mundial, movimentando cerca de R$ 10 trilhões por ano.
As perspectivas seguem positivas. Projeções da Verified Market Reports indicam crescimento médio anual de 5,5% para o setor cultural e criativo entre 2026 e 2033.
Cultura como motor de desenvolvimento regional
O relatório “The Culture Fix”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, aponta que a cultura tem sido utilizada cada vez mais como instrumento de regeneração econômica e fortalecimento regional.
No Brasil, projetos ligados à memória ferroviária vêm exemplificando esse potencial. Os gestores culturais Preto Filho e Diego Ribeiro lideram as iniciativas “Estação” e “Identidades”, desenvolvidas ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).
Os projetos utilizam fotografia, audiovisual e intervenções culturais para resgatar histórias locais e estimular a economia nas cidades atravessadas pela ferrovia.
Projetos movimentaram R$ 29 milhões
Segundo os organizadores, os dois projetos injetaram R$ 3,9 milhões diretamente na economia cultural — sendo R$ 1,8 milhão no “Identidades” e R$ 2,1 milhões no “Estação”.
O impacto econômico total nas comunidades atendidas chegou a R$ 29 milhões, beneficiando municípios como:
- Vila Velha
- Belo Horizonte
- Rio Piracicaba
- João Monlevade
- Colatina
De acordo com Preto Filho, o modelo faz os recursos circularem dentro das próprias cidades, alcançando pequenos comerciantes, pousadas, fornecedores e prestadores de serviço locais.
“É um modelo de engajamento social que promove a legitimidade e a percepção do território, estabelecendo um contato real com as comunidades por onde a Vale atua”, afirmou.
Formação de jovens e preservação cultural
O projeto “Estação” qualificou 80 jovens de cidades mineiras, que receberam bolsas de R$ 1 mil para participar das atividades culturais e educativas.
Em um único ciclo, a iniciativa percorreu 172 quilômetros e alcançou cerca de 1 milhão de pessoas por meio de intervenções urbanas realizadas em sete municípios.
Já o projeto “Identidades” mobilizou 175 interlocutores e produziu um acervo de aproximadamente 5 mil fotografias, registrando 100 expressões culturais do Espírito Santo.
Segundo Diego Ribeiro, o objetivo é fortalecer manifestações culturais pouco visibilizadas e estimular novos fluxos econômicos para as comunidades.
“A cultura funciona como vetor de dinamização. Ao entregarmos o livro-inventário e realizar o festival, devolvemos para as comunidades a dimensão de sua importância, atraindo novos fluxos financeiros”, destacou.
Projetos devem continuar até 2028
Os responsáveis pelas iniciativas afirmam que as ações culturais e educativas devem continuar até 2028, com expansão do número de municípios atendidos ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas.
A proposta é ampliar o impacto econômico, social e patrimonial das ações, utilizando a cultura como ferramenta de desenvolvimento sustentável e fortalecimento das identidades locais.






















