O crédito rural tem sido utilizado cada vez mais como instrumento de expansão patrimonial no Agronegócio brasileiro. É o que aponta um levantamento interno da corretora Friggi & Secco, segundo o qual 92,8% das operações de crédito realizadas por seus clientes do setor agropecuário são destinadas à aquisição e expansão de terras, em vez do custeio da produção.
O estudo foi realizado com 104 produtores rurais, sendo 29 pecuaristas e 75 agricultores, e reflete um cenário de forte crescimento do agronegócio nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde de 358,6 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/2026. No comércio exterior, as exportações do agronegócio somaram US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, enquanto o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) alcançou R$ 1,4 trilhão em maio.
Crédito deixa de ser apenas ferramenta de custeio
Segundo o CEO da Friggi & Secco, Alberto Ferreira Friggi, os dados mostram uma mudança no comportamento dos produtores mais estruturados.
De acordo com o executivo, embora o financiamento continue sendo utilizado para despesas tradicionais, como compra de sementes, insumos, máquinas e custeio da produção, cresce o número de produtores que recorrem ao crédito para ampliar sua área produtiva.
Na avaliação de Friggi, esse movimento demonstra que o financiamento rural passou a ser utilizado como estratégia de crescimento de longo prazo, voltada à expansão da capacidade produtiva e do patrimônio.
Terra é vista como ativo estratégico
O levantamento também indica que a aquisição de terras continua sendo considerada uma das principais formas de ampliar a produção, mesmo com os avanços tecnológicos que elevaram a produtividade agrícola nos últimos anos.
Segundo Alberto Friggi, produtores que já possuem experiência operacional enxergam duas possibilidades para aumentar a produção: elevar a produtividade da área já cultivada por meio de tecnologia e gestão ou ampliar a extensão da área agrícola.
Na avaliação do executivo, a expansão territorial permite aumentar a capacidade de produção, diversificar riscos e preparar a operação para ciclos futuros de crescimento.
Cenário favorece investimentos no campo
O estudo foi divulgado em um momento de forte atividade no agronegócio brasileiro.
Além da expectativa de safra recorde, o setor mantém desempenho elevado nas exportações, impulsionado pela demanda internacional por alimentos e pela valorização das commodities agrícolas.
Segundo dados do Plano Safra 2025/2026, os contratos de crédito rural empresarial já somavam R$ 354,4 bilhões até fevereiro, representando crescimento de 7% em relação ao mesmo período da temporada anterior.
Para a corretora, o cenário reforça a percepção de que muitos produtores passaram a utilizar o crédito não apenas para financiar a produção corrente, mas também para ampliar sua presença em um setor considerado estratégico para a economia brasileira e para o abastecimento mundial.






















