A utilização de agentes de inteligência artificial (IA) vem mudando a forma como empresas gerenciam operações logísticas. Capazes de analisar grandes volumes de dados em poucos segundos e tomar decisões de forma autônoma, essas ferramentas prometem tornar o processo de entrega mais rápido, eficiente e econômico.
Segundo André Mortari, CEO da LETS, atividades que antes exigiam análise manual, como a escolha da transportadora responsável por uma entrega, podem ser realizadas em segundos por agentes inteligentes, considerando simultaneamente fatores como trânsito, condições climáticas, demanda e histórico de desempenho das transportadoras.
“Empresas já conseguem reduzir entre 30% e 50% os erros de previsão utilizando agentes de IA, que aprendem continuamente com os dados das operações e ajustam suas decisões automaticamente”, afirma.
Como funcionam os agentes de IA
Diferentemente dos sistemas tradicionais, que executam comandos previamente programados, os agentes de IA analisam o contexto de cada operação antes de decidir qual ação executar.
Na prática, enquanto um software convencional segue regras fixas, um agente inteligente consegue aprender com dados históricos, identificar padrões e adaptar seu comportamento conforme as mudanças no ambiente operacional.
Em operações mais complexas, diferentes agentes podem atuar simultaneamente. Um deles avalia custos, outro analisa prazos de entrega e um terceiro estima os riscos de atraso ou falha na operação. As informações são compartilhadas entre eles para definir a alternativa mais adequada para cada pedido.
Simulações em tempo real
Outra característica desses sistemas é a capacidade de simular diferentes cenários antes da tomada de decisão.
A inteligência artificial compara alternativas de transporte, calcula custos, estima prazos e identifica qual opção atende melhor aos critérios estabelecidos pela empresa, como menor custo, maior rapidez ou maior índice de sucesso nas entregas.
Segundo Mortari, todo esse processo ocorre automaticamente e em poucos segundos, reduzindo a necessidade de intervenção humana.
Redução de custos e aumento da produtividade
De acordo com o especialista, a adoção de agentes inteligentes pode gerar impactos relevantes na eficiência operacional.
Entre os principais benefícios apontados estão a redução dos custos com frete, a otimização das rotas, a diminuição de retrabalho e o acompanhamento em tempo real do desempenho das operações.
Além disso, a automação permite que empresas ampliem o volume de pedidos processados sem a necessidade de expandir proporcionalmente as equipes responsáveis pela operação logística.
Implantação exige planejamento
Apesar das vantagens, a implementação da Tecnologia requer planejamento e definição de objetivos claros.
Mortari recomenda que as empresas iniciem o processo avaliando o nível de maturidade de suas operações, identificando gargalos e estabelecendo indicadores de desempenho que orientarão as decisões da inteligência artificial.
Outro ponto importante é a escolha de plataformas capazes de integrar sistemas de gestão, canais de venda e transportadoras.
A recomendação é iniciar a implantação em uma operação piloto, permitindo ajustes antes da expansão para toda a cadeia logística.
Segundo o executivo, a inteligência artificial não substitui o papel do gestor, mas automatiza tarefas operacionais, enquanto as diretrizes estratégicas permanecem sob responsabilidade da equipe.






















