O crescimento acelerado do mercado de energia solar no Brasil tem ampliado as oportunidades para empresas do setor, mas também exposto desafios relacionados à gestão dos negócios. Na avaliação de Augusto Lyra, CEO da Everflow, o aumento das vendas, quando não acompanhado por planejamento e controle operacional, pode comprometer a Sustentabilidade financeira das empresas.
Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o setor acumula mais de R$ 300 bilhões em investimentos e já gerou mais de 2 milhões de empregos na última década.
Expansão acelerada pode gerar riscos
Para Augusto Lyra, um dos principais equívocos observados entre empresas do segmento é associar crescimento nas vendas à saúde financeira do negócio.
De acordo com o executivo, casos recentes mostram que o aumento da demanda nem sempre é acompanhado pela estrutura necessária para atender os clientes.
Um exemplo citado pelo especialista ocorreu no Pará, onde uma empresa do setor de energia solar ampliou rapidamente suas vendas, mas enfrentou dificuldades operacionais, como atrasos na instalação dos sistemas, falhas no atendimento e acúmulo de reclamações de consumidores.
Segundo relatos mencionados pelo executivo, clientes afirmaram ter pago valores entre R$ 15 mil e R$ 98 mil por sistemas que não foram entregues. A situação resultou em prejuízos financeiros e no encerramento das atividades da empresa.
Na avaliação de Lyra, o episódio evidencia problemas estruturais ligados à falta de controle da operação.
Controle por projeto
O CEO da Everflow defende que a análise financeira das empresas vá além do fluxo de caixa e do Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) tradicional.
Segundo ele, uma ferramenta importante é o chamado DRE de obra, que permite acompanhar individualmente o desempenho financeiro de cada projeto.
“Diferente do DRE financeiro tradicional, que mostra o resultado global da empresa, o DRE de obra permite analisar, de forma individual, o desempenho de cada projeto. Ele revela, por exemplo, se aquela instalação que parece lucrativa no papel realmente gera margem quando todos os custos são considerados, desde mão de obra até retrabalho, logística e atrasos”, afirma.
Para o executivo, esse tipo de acompanhamento possibilita identificar perdas operacionais que muitas vezes permanecem ocultas nos resultados consolidados da empresa.
Crescimento exige estrutura
Segundo Augusto Lyra, a própria Everflow tem investido na ampliação de processos internos para acompanhar o crescimento da demanda.
De acordo com o executivo, o aumento das vendas exige reforço na contratação de profissionais, organização operacional e definição de processos capazes de sustentar a expansão do negócio.
Na avaliação dele, muitas empresas concentram investimentos na área comercial, mas deixam em segundo plano o fortalecimento da operação.
Gestão como fator estratégico
Para o especialista, ferramentas de gestão e monitoramento financeiro deixaram de ser um diferencial e passaram a representar um elemento essencial para empresas que atuam em segmentos com operações complexas.
Segundo Lyra, decisões baseadas em dados, controle de margens e processos estruturados são fatores determinantes para garantir crescimento sustentável.
“O futuro das empresas, não só no setor de energia solar, mas em qualquer segmento com operações complexas, passa pela organização, pelo controle de margem e por processos bem definidos. Ferramentas de gestão são o que separa empresas que crescem de forma sustentável daquelas que simplesmente crescem até quebrar”, conclui.






















