As redes municipais de ensino brasileiras têm avançado na adoção de estratégias voltadas ao desenvolvimento da linguagem e da cultura escrita na educação infantil, mas ainda enfrentam desafios importantes relacionados à infraestrutura, inclusão, financiamento e transição pedagógica. Os dados fazem parte do relatório “Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública”, divulgado pelo Itaú Social em parceria com a Undime.
O levantamento mostra que 76% dos municípios adotam práticas ligadas ao desenvolvimento da linguagem e da cultura escrita na primeira infância. Já as iniciativas de letramento matemático aparecem em 48% das redes municipais. Apesar disso, cerca de 20% das secretarias municipais de educação afirmam não possuir ações estruturadas voltadas à educação infantil.
A pesquisa contou com a participação de 2.712 redes municipais de ensino, o equivalente a aproximadamente 49% dos municípios brasileiros. O estudo detalha avanços e dificuldades enfrentadas pelas redes públicas responsáveis pela primeira etapa da educação básica.
Outro dado que chama atenção é o desconhecimento sobre a adoção dessas estratégias em unidades conveniadas. Segundo o relatório, 23% das secretarias municipais não sabem informar se creches e pré-escolas parceiras também utilizam práticas de letramento em matemática e linguagem.
De acordo com a gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, Sonia Dias, o acompanhamento das redes conveniadas é essencial para evitar desigualdades educacionais dentro do próprio município.
Infraestrutura lidera principais desafios
Entre os principais obstáculos enfrentados pelas redes municipais, a infraestrutura inadequada das unidades de ensino aparece como o problema mais citado pelos gestores, representando 23% das respostas.
As principais reclamações envolvem falta de recursos para manutenção das creches e pré-escolas, carência de investimentos em obras e dificuldade na ampliação de vagas.
Além da infraestrutura, a inclusão de crianças com deficiência e neurodivergências também surge como um dos maiores desafios da educação infantil, apontado por 15% dos entrevistados. O estudo destaca a necessidade de investimentos em acessibilidade, materiais adaptados e profissionais de apoio para garantir condições adequadas de aprendizagem.
Formação de professores e transição escolar preocupam
A formação continuada dos profissionais da educação também aparece como um ponto sensível. Segundo o relatório, muitas redes municipais relatam dificuldades para oferecer capacitação adequada a professores e gestores escolares, especialmente nas áreas de inclusão e diversidade.
Outro problema identificado é a transição entre a pré-escola e o ensino fundamental. O estudo revela que 17% das redes não realizam qualquer planejamento articulado entre as duas etapas, enquanto 13% não utilizam estratégias básicas de acompanhamento, como portfólios pedagógicos.
Para especialistas, a ausência de continuidade pedagógica pode impactar negativamente o processo de alfabetização e adaptação das crianças ao ensino fundamental.
Apoio entre estados e municípios ainda é desigual
O relatório aponta ainda que 67% das redes municipais recebem algum tipo de apoio das secretarias estaduais de educação, principalmente por meio de formações e assistência técnica. Porém, um terço dos municípios afirma não receber qualquer suporte estadual para a educação infantil.
As principais demandas das redes municipais incluem apoio financeiro, formação pedagógica e fornecimento de materiais didáticos.
Segundo a Undime, fortalecer o regime de colaboração entre União, estados e municípios será fundamental para reduzir desigualdades regionais e ampliar a qualidade da educação infantil em todo o país.
Com informação Agência Brasil






















