O ecossistema global de criptomoedas registrou mais de US$ 3,4 bilhões em fundos roubados ao longo de 2025, segundo dados do 2026 Crypto Crime Report, levantamento anual da Chainalysis. O estudo aponta que, apesar da evolução dos mecanismos de segurança, os crimes envolvendo criptoativos seguem altamente sofisticados e com potencial de gerar impactos sistêmicos.
Poucos ataques concentram a maior parte dos prejuízos
Um dos principais achados do relatório é a elevada concentração das perdas. Apenas os três maiores ataques registrados em 2025 responderam por 69% de todo o valor roubado de serviços centralizados e plataformas cripto.
Pela primeira vez, o maior ataque registrado foi mil vezes superior à média dos demais incidentes, superando inclusive os níveis observados no pico do mercado em 2021. O dado reforça que falhas pontuais em grandes plataformas podem gerar efeitos desproporcionais em todo o setor.
Grupos ligados à Coreia do Norte ampliam impacto
O estudo também confirma a atuação de grupos hackers associados à Coreia do Norte como a principal ameaça estatal no crime cripto global. Em 2025, esses grupos foram responsáveis pelo roubo de pelo menos US$ 2,02 bilhões em criptoativos, um crescimento de 51% em relação a 2024, apesar da redução no número total de ataques.
Segundo o relatório, ataques atribuídos ao país responderam por 76% das invasões a serviços cripto no ano, elevando para US$ 6,75 bilhões o valor mínimo acumulado de recursos roubados ao longo dos anos. A análise aponta uma mudança de estratégia: menos ataques, porém significativamente mais destrutivos.
Estratégias de lavagem de recursos seguem padrão recorrente
O relatório detalha ainda os principais métodos utilizados para a lavagem de fundos roubados, especialmente em ataques de grande escala. De forma geral, a movimentação dos recursos ocorre ao longo de cerca de 45 dias e envolve múltiplas etapas, incluindo o uso inicial de protocolos de finanças descentralizadas e serviços de mistura, seguido por pontes entre blockchains e, posteriormente, plataformas com controles mais limitados.
Esses padrões, segundo o estudo, fornecem sinais relevantes para investigações, ações de compliance e monitoramento preventivo.
Golpes contra usuários individuais aumentam em volume
Os crimes direcionados a carteiras pessoais também apresentaram crescimento expressivo. Em 2025, foram registrados cerca de 158 mil incidentes de roubo, quase o triplo do observado em 2022, atingindo mais de 80 mil vítimas únicas.
Apesar da elevação no número de casos, o valor médio roubado por usuário diminuiu, indicando uma mudança no perfil dos ataques, com maior alcance e perdas individuais menores, acompanhando a ampliação do uso global de criptoativos.
Setor DeFi mostra maior resiliência
Em contraste com outros segmentos, o setor de finanças descentralizadas apresentou sinais de amadurecimento em segurança. Mesmo com a recuperação do valor total bloqueado nas plataformas, as perdas associadas a hacks permaneceram em níveis reduzidos em 2024 e 2025.
O relatório sugere que esse comportamento pode refletir avanços em práticas de segurança, monitoramento e resposta a incidentes, além de uma possível migração do foco dos criminosos para outros vetores de ataque.
Perspectivas para 2026
De acordo com a análise da Chainalysis, os dados indicam que o crime envolvendo criptomoedas tende a se tornar menos frequente, porém mais concentrado e sofisticado. O cenário reforça a necessidade de maior cooperação entre empresas do setor, autoridades regulatórias e provedores de inteligência blockchain para mitigar riscos futuros.






















