A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a elevar as preocupações dos mercados financeiros sobre os impactos de um eventual choque no preço do petróleo. Especialistas do setor financeiro avaliam que, caso o conflito afete a oferta global ou o transporte da commodity pelo Estreito de Ormuz, os reflexos podem atingir a inflação, o câmbio, os juros e o crédito no Brasil.
Segundo analistas, o principal foco de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. Além disso, a retomada das sanções norte-americanas ao petróleo iraniano reduz a oferta global da commodity e amplia o chamado “prêmio de risco” incorporado aos preços internacionais.
Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike, afirma que o atual cenário combina dois fatores relevantes: o risco de interrupção da logística no Golfo Pérsico e a redução da oferta causada pelas sanções ao Irã.
“Enquanto essas duas frentes permanecerem ativas, o prêmio de risco tende a continuar sustentando os preços do petróleo”, afirma.
Petróleo pode pressionar inflação brasileira
Embora o Brasil seja produtor e exportador de petróleo, especialistas destacam que o país continua exposto às oscilações internacionais da commodity.
O motivo é que os preços dos combustíveis acompanham as cotações internacionais e também sofrem influência da variação do dólar.
Com isso, uma alta prolongada do barril pode elevar os custos de combustíveis, fretes, energia elétrica, logística e produção industrial, pressionando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, a situação ocorre em um momento delicado para a inflação brasileira.
“O petróleo novamente pressionado pode reforçar a inflação por meio dos combustíveis, fretes e câmbio, reduzindo o espaço para juros mais baixos”, afirma.
O especialista cita ainda estimativas de mercado indicando aumento da probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta em 2026, passando de 30% para 79%.
Banco Central pode adiar cortes na Selic
Outro efeito esperado é sobre a política monetária.
Na avaliação dos especialistas, uma inflação mais elevada dificulta o processo de redução da taxa básica de juros (Selic), já que o Banco Central tende a agir com maior cautela caso o aumento dos preços se torne persistente.
Além do impacto direto dos combustíveis, o avanço do dólar em períodos de maior aversão ao risco pode ampliar as pressões inflacionárias.
Empresas devem reforçar planejamento financeiro
Os analistas também alertam para os impactos sobre empresas e investidores.
Setores intensivos em combustíveis, transporte, logística, indústria química, companhias aéreas e empresas altamente alavancadas tendem a sentir primeiro os efeitos de um ambiente com petróleo caro e juros elevados.
Nesse cenário, especialistas recomendam maior atenção à gestão financeira, liquidez, geração de caixa e alongamento dos prazos das dívidas, reduzindo a exposição a oscilações de curto prazo.
Mercado acompanha evolução do conflito
Apesar da alta recente do petróleo, os especialistas avaliam que parte do risco geopolítico já foi incorporada aos preços.
No entanto, um agravamento do conflito, com interrupções efetivas na produção ou no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, poderá provocar novas altas da commodity e ampliar seus impactos sobre a Economia global.
Enquanto isso, investidores seguem atentos à evolução das tensões no Oriente Médio e aos possíveis reflexos sobre inflação, câmbio, juros e atividade econômica.






















