O aumento do endividamento das famílias brasileiras tem acendido o alerta entre especialistas em finanças. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que o índice de “mal-estar financeiro” atingiu 0,94 em 2026, o maior nível da série histórica. Em 2014, o indicador era de 0,25. O levantamento mede o chamado desconforto com o crédito, especialmente relacionado ao uso de linhas com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial.
Nesse cenário, reorganizar a vida financeira se tornou prioridade para milhões de brasileiros. Uma pesquisa realizada pela fintech Creditas em parceria com a Opinion Box aponta que 59% da população vive sob sensação constante de instabilidade financeira. Além disso, 66% afirmam estar abaixo do padrão financeiro desejado e 95% dizem precisar complementar a renda mensal.
Segundo o educador financeiro Guilherme Casagrande, da Creditas, programas de renegociação ajudam no alívio imediato, mas não resolvem o problema de forma definitiva.
“O primeiro passo é substituir dívidas caras por alternativas com juros menores e prazos mais longos. Mas a saída do endividamento também exige planejamento, organização e mudança de hábitos financeiros”, explica.
Estratégias para sair do ciclo das dívidas
O especialista destaca algumas medidas consideradas essenciais para quem deseja recuperar o controle das finanças:
Fazer um diagnóstico completo das dívidas
O primeiro passo é listar todas as pendências financeiras, incluindo valores, credores, taxas de juros e prazos de pagamento. Isso ajuda a identificar quais dívidas comprometem mais o orçamento.
Trocar dívidas caras por crédito mais barato
Linhas como rotativo do cartão de crédito e cheque especial possuem algumas das maiores taxas do mercado. Segundo Casagrande, migrar essas dívidas para modalidades com juros menores pode reduzir significativamente o valor das parcelas.
Entre as alternativas citadas estão:
- crédito com garantia de imóvel ou veículo;
- consignado privado;
- portabilidade de crédito.
De acordo com dados da Creditas, clientes que trocaram dívidas mais caras por crédito com garantia conseguiram reduzir parcelas em até 60% e economizar até 75% em juros ao longo do contrato.
Redução de gastos e aumento de renda
Outra recomendação é revisar o orçamento pessoal para eliminar despesas consideradas desnecessárias.
O especialista orienta que o consumidor:
- corte gastos supérfluos;
- evite novas compras parceladas;
- renegocie contratos e serviços;
- mantenha controle mensal das despesas.
Também é recomendada a busca por fontes extras de renda, como trabalhos freelancers, vendas de produtos usados ou atividades complementares.
Reserva de emergência ajuda a evitar novas dívidas
A criação de uma reserva financeira, mesmo que pequena no início, é apontada como fundamental para evitar o retorno ao endividamento diante de imprevistos.
Segundo Casagrande, a educação financeira é peça-chave para construir uma relação mais saudável com o dinheiro e evitar o chamado “reendividamento”.
“Sair do aperto financeiro não acontece de um dia para o outro. É um processo que exige disciplina, planejamento e constância, mas é totalmente possível”, afirma.
Educação financeira ganha importância
Especialistas defendem que o acesso à informação financeira se tornou tão importante quanto o acesso ao crédito. O objetivo é ajudar consumidores a entender juros, orçamento, planejamento e formas mais sustentáveis de uso do dinheiro.
Com inflação pressionando o custo de vida e juros ainda elevados em diversas modalidades de crédito, o planejamento financeiro passou a ser considerado essencial para evitar o agravamento das dívidas das famílias brasileiras.






















