A expansão da criptoeconomia tem ampliado as possibilidades de acesso a serviços financeiros em diferentes países. Criptomoedas, stablecoins, redes blockchain e soluções descentralizadas passaram a integrar parte das operações realizadas por pessoas e empresas.
Apesar do potencial de ampliar o acesso ao sistema financeiro, especialistas avaliam que a tecnologia, isoladamente, não é suficiente para reduzir desigualdades. Educação financeira, inclusão digital, segurança e regulamentação são apontadas como condições necessárias para que os novos recursos sejam utilizados de forma adequada.
Segundo o Global Findex 2025, cerca de 79% dos adultos no mundo possuem algum tipo de conta financeira. O percentual praticamente dobrou desde 2011, mas aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas ainda permanecem fora do sistema financeiro formal. Cerca de 900 milhões desse grupo possuem telefone celular, o que representa uma possível base para a expansão de serviços financeiros digitais.
Brasil registra crescimento no uso de criptoativos
A América Latina e o Caribe apresentam cenário favorável à expansão das soluções financeiras digitais. Aproximadamente 70% dos adultos da região possuem conta financeira e mais da metade utiliza cartões ou dispositivos móveis para realizar transações digitais.
O Brasil também apresenta crescimento no mercado de criptoativos. Em 2025, o país ocupou a quinta posição no Índice Global de Adoção de Criptomoedas, elaborado pela Chainalysis, atrás de Índia, Estados Unidos, Paquistão e Vietnã.
A estimativa citada no levantamento indica que aproximadamente US$ 318,8 bilhões em criptoativos circularam no mercado brasileiro durante o período analisado, o equivalente a cerca de um terço da atividade registrada na América Latina.
Stablecoins ganham espaço
Dados declarados à Receita Federal mostram que, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações envolvendo os principais criptoativos foi informado ao órgão. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão, ou 71,7%, correspondeu a stablecoins.
Em 2025, esses ativos representaram aproximadamente 80% do volume financeiro mensal declarado. As stablecoins são criptomoedas projetadas para manter valor relativamente estável em relação a ativos de referência, como moedas fiduciárias, e vêm sendo utilizadas em operações como pagamentos, transferências internacionais e negociações digitais.
O crescimento desse mercado também indica uma utilização que vai além da negociação especulativa, embora os riscos financeiros permaneçam presentes.
Tecnologia pode reduzir barreiras, mas não elimina riscos
Entre as características dos ativos digitais está a possibilidade de negociação de frações de determinados ativos, o que pode reduzir o valor necessário para iniciar algumas operações.
As redes blockchain também permitem operações contínuas e podem facilitar determinadas transferências internacionais. Contratos inteligentes, por sua vez, podem automatizar pagamentos e outras operações previamente programadas.
Entretanto, fatores como acesso limitado à internet, baixa alfabetização digital, dificuldades de identificação, custos operacionais, falta de transparência e fraudes podem dificultar o acesso de parte da população.
A utilização de stablecoins também envolve custos que precisam ser considerados, como tarifas das plataformas, diferenças entre taxas de compra e venda, custos das redes blockchain e possíveis tributos.
Segurança e regulamentação
A segurança digital é outro ponto importante para a expansão do setor. Aplicativos e plataformas precisam adotar mecanismos capazes de reduzir riscos de golpes, invasões e perda de acesso às contas.
Recursos como autenticação em dois fatores, bloqueios preventivos e sistemas seguros de recuperação podem contribuir para aumentar a proteção dos usuários.
No Brasil, as regras estabelecidas pelo Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais representam uma etapa do processo de regulamentação do mercado. A criação de normas busca ampliar mecanismos de segurança, governança e transparência.
A regulamentação, porém, não elimina os riscos associados aos criptoativos. Oscilações de preços, ataques cibernéticos, fraudes e possíveis perdas financeiras continuam sendo fatores que devem ser considerados pelos usuários.
Educação financeira é apontada como fator essencial
Especialistas defendem que a expansão dos serviços financeiros digitais deve ser acompanhada de educação financeira e digital. O objetivo é permitir que os usuários compreendam o funcionamento das ferramentas, seus custos e os riscos envolvidos antes de realizar operações.
Nesse cenário, a inclusão financeira depende da combinação entre acesso à tecnologia, conhecimento, segurança e proteção ao consumidor.
Com o avanço da digitalização dos serviços financeiros, a criptoeconomia tende a ganhar espaço na Economia global. O alcance desse potencial, entretanto, dependerá da capacidade de conciliar inovação tecnológica, acessibilidade, educação financeira, segurança digital, transparência e regulamentação.





















