Os planos de saúde coletivos registraram reajuste médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Apesar de representar a menor variação dos últimos cinco anos, o aumento ainda supera com folga a inflação oficial do país e mantém a pressão sobre empresas e consumidores que dependem da saúde suplementar.
Os dados divulgados pela ANS mostram que os reajustes aplicados pelas operadoras nos contratos coletivos seguem em patamar elevado, especialmente quando comparados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que estava em 3,81% no acumulado até fevereiro deste ano.
Os planos coletivos são aqueles contratados por empresas, associações de classe ou empresários individuais e representam a maior parte do mercado de saúde suplementar brasileiro. Atualmente, cerca de 84% dos contratos ativos pertencem a essa modalidade.
Mesmo com a desaceleração observada em 2026, os reajustes seguem sendo motivo de preocupação para consumidores e especialistas do setor. O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) voltou a criticar os aumentos acima da inflação, alegando que os custos acabam comprometendo o orçamento das famílias e das empresas.
A ANS, no entanto, argumenta que os reajustes não podem ser comparados diretamente com os índices inflacionários tradicionais, já que levam em consideração fatores específicos do setor de saúde, como aumento da frequência de utilização dos serviços, custos hospitalares, exames, procedimentos e mudanças tecnológicas.
Segundo a agência reguladora, os planos coletivos com até 29 beneficiários tiveram reajuste médio de 13,48% nos primeiros meses do ano. Já os contratos com 30 ou mais vidas apresentaram alta média de 8,71%.
A diferença ocorre porque os contratos menores possuem menos capacidade de diluição de custos, o que torna os reajustes mais elevados. Ainda de acordo com a ANS, aproximadamente 77% dos usuários estão concentrados em planos coletivos empresariais maiores, que possuem índices menores de reajuste.
O levantamento também mostra a evolução dos reajustes nos últimos anos. Em 2016, a alta média foi de 15,74%. Em 2017, ficou em 14,24%. Já em 2018, os planos subiram 11,96%, enquanto em 2019 o reajuste médio foi de 10,55%.
Durante a pandemia de covid-19, os índices desaceleraram devido à redução de consultas, exames e cirurgias eletivas. Em 2020, os reajustes ficaram em 7,71% e, em 2021, atingiram 6,43%, o menor percentual da série recente.
Após a retomada das atividades econômicas e do uso dos serviços médicos, os aumentos voltaram a acelerar. Em 2022, os planos coletivos tiveram reajuste médio de 11,48%. Em 2023, o índice chegou a 14,13%, enquanto em 2024 foi de 13,18%. No ano passado, o reajuste médio ficou em 10,76%.
Apesar da redução em 2026, especialistas apontam que os custos médicos seguem pressionando o setor, principalmente devido ao envelhecimento da população, ao aumento das doenças crônicas e ao avanço de tratamentos de alto custo.
Os dados mais recentes da ANS mostram que o Brasil possui atualmente cerca de 53 milhões de vínculos em planos de saúde, crescimento de 906 mil contratos em relação ao mesmo período do ano passado.
O setor também registrou resultados financeiros expressivos. Em 2025, as operadoras de saúde suplementar tiveram receita total de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado pela série histórica.
Isso significa que, para cada R$ 100 recebidos pelas operadoras, aproximadamente R$ 6,20 foram convertidos em lucro líquido.
Especialistas alertam que, embora o setor apresente crescimento financeiro robusto, os reajustes continuam sendo um desafio para famílias e empresas, especialmente em um cenário de juros elevados e desaceleração econômica.
A expectativa é de que o debate sobre os critérios de reajuste dos planos coletivos ganhe ainda mais força ao longo de 2026, principalmente diante do aumento das reclamações de consumidores e da busca por maior transparência na formação dos preços dos contratos.
Com informação Agência Brasil






















