O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio voltou a impactar diretamente o Agronegócio brasileiro, especialmente no mercado de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 90% dos insumos utilizados nas lavouras, cenário que aumenta a vulnerabilidade do setor às oscilações de preços e à instabilidade internacional.
Diante desse contexto, cresce a busca por alternativas mais sustentáveis e eficientes, como os biofertilizantes. Empresas do setor têm investido em tecnologias capazes de reduzir a dependência externa e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho das culturas no campo.
É nesse cenário que a Ambios, empresa mato-grossense do grupo Natter, se destaca ao desenvolver soluções voltadas à saúde do solo e ao aumento da produtividade agrícola. A companhia aposta em uma nova geração de insumos biológicos que integram eficiência produtiva e sustentabilidade.
Segundo o CEO da Natter, Rafael Bortoli, o momento exige uma mudança de estratégia por parte dos produtores. Em vez de depender exclusivamente de insumos externos, o foco passa a ser o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis dentro da propriedade.
Entre as tecnologias desenvolvidas pela empresa, o biofertilizante Ingrow vem ganhando espaço. Produzido a partir de coprodutos de peixe de água doce, o insumo representa uma abordagem inovadora no manejo agrícola.
Diferentemente dos fertilizantes tradicionais, os biofertilizantes dessa nova geração vão além da simples reposição de nutrientes. Eles atuam diretamente no metabolismo das plantas, estimulando processos fisiológicos que aumentam a eficiência no uso de recursos.
Ensaios técnicos realizados em diferentes regiões do país apontam ganhos médios superiores a cinco sacas por hectare em culturas como soja, milho e algodão. A formulação rica em carbono orgânico e biocompostos naturais contribui para o fortalecimento do sistema radicular, aumento da área foliar e maior resistência a estresses climáticos.
Especialistas destacam que essa mudança de abordagem representa um avanço importante na agricultura moderna. Ao priorizar o metabolismo vegetal, as plantas conseguem responder melhor às condições adversas, mantendo níveis consistentes de produtividade.
Outro ponto relevante é a facilidade de aplicação. O biofertilizante pode ser utilizado tanto no sulco de plantio quanto por via foliar, sem exigir mudanças complexas no manejo já adotado pelos produtores.
Além dos ganhos agronômicos, o uso de biofertilizantes também reforça práticas sustentáveis no campo. Ao aproveitar coprodutos da cadeia do pescado, a tecnologia contribui para a economia circular, reduzindo desperdícios e promovendo o uso mais eficiente dos recursos naturais.
Com a pressão crescente sobre os custos de produção e a necessidade de maior previsibilidade, soluções como os biofertilizantes tendem a ganhar cada vez mais espaço no agronegócio brasileiro, consolidando-se como uma alternativa estratégica para o futuro da produção agrícola.

















