O dólar voltou a subir e encerrou esta sexta-feira (15) acima de R$ 5, atingindo o maior nível em um mês. Já a Bolsa brasileira fechou em queda, em um dia marcado por turbulências externas e aumento das tensões políticas no Brasil.
A moeda norte-americana terminou o dia vendida a R$ 5,067, com avanço de 1,63%. Durante o pregão, a cotação chegou a bater R$ 5,08 por volta das 13h, antes de desacelerar parcialmente no fim da tarde.
Com o resultado, o dólar acumulou alta de 3,48% na semana. Apesar disso, em 2026, a moeda ainda registra queda acumulada de 7,70%. O valor registrado nesta sexta é o maior desde 8 de abril, quando a divisa encerrou o dia cotada a R$ 5,10.
O mercado acionário brasileiro também operou pressionado. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos 177.284 pontos, com recuo de 0,61%. O índice chegou a cair mais de 1% ao longo da manhã, mas amenizou parte das perdas graças ao desempenho das ações da Petrobras.
O cenário internacional contribuiu para a aversão global ao risco. Investidores aumentaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, poderá elevar os juros diante da persistência da inflação global, pressionada principalmente pela alta do petróleo e pelas tensões envolvendo Irã e Estados Unidos.
Outro fator que impactou os mercados foi o avanço dos juros dos títulos públicos japoneses. Os papéis de dez anos do Japão atingiram o maior nível desde 1999, chegando a 2,37%, enquanto os títulos de 30 anos ultrapassaram os 4%. O movimento ocorreu após a inflação ao produtor no país acelerar para 4,9% em abril.
A possibilidade de aumento de juros no Japão levou investidores a desmontarem operações de carry trade, estratégia em que recursos captados em países de juros baixos são direcionados para economias com taxas mais elevadas, como o Brasil. A reversão desses fluxos fortaleceu o dólar e provocou retirada de capital de mercados emergentes.
No cenário doméstico, o mercado acompanhou o agravamento das tensões políticas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Investidores avaliaram que o aumento das incertezas políticas ampliou a busca por proteção na moeda americana.
O desempenho negativo da Bolsa brasileira acompanhou o movimento observado nas bolsas internacionais. Em Nova York, o índice S&P 500 caiu 1,23%, refletindo a percepção de que os juros elevados nos Estados Unidos poderão permanecer por mais tempo.
Além disso, o petróleo disparou mais de 3% diante da escalada das tensões no Oriente Médio e da ausência de avanços nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.
O barril do Brent, referência internacional, fechou em alta de 3,35%, cotado a US$ 109,26. Já o barril WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 4,2%, encerrando o dia a US$ 105,42.
O mercado reagiu ainda a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que sua paciência com o Irã estaria se esgotando. Em resposta, o chanceler iraniano Abbas Araqchi declarou que Teerã não confia nos americanos e só negociará mediante demonstrações concretas de seriedade por parte de Washington.
O prolongamento da crise no Golfo Pérsico mantém elevadas as preocupações com a inflação global, pressionando os juros internacionais e ampliando a volatilidade nos mercados financeiros.
Com informação Agência Brasil.






















