Mesmo diante de problemas de saúde que indicariam a necessidade de repouso, 70,3% dos trabalhadores brasileiros afirmam já ter continuado trabalhando. O dado faz parte de uma pesquisa da Heach Recursos Humanos, realizada com 1.537 profissionais de diferentes setores, cargos, portes de empresas e regiões do país.
O levantamento aborda o chamado presenteísmo, comportamento caracterizado pela permanência do trabalhador em atividade mesmo quando está doente ou sem condições adequadas para exercer suas funções.
Entre os profissionais que já trabalharam nessas condições, o principal motivo apontado foi o desejo de não sobrecarregar os colegas, citado por 35,4%. Outros 27,9% disseram considerar que o problema de saúde não era grave o suficiente para justificar o afastamento.
O medo de prejudicar a própria carreira foi mencionado por 17,3%, enquanto 12,5% apontaram pressão da empresa ou da liderança como motivo para continuar trabalhando.
Segundo Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, os dados indicam que o presenteísmo não deve ser analisado apenas como uma decisão individual, já que fatores relacionados à cultura e ao funcionamento das organizações também podem influenciar esse comportamento.
Impacto na recuperação
Entre os 1.081 profissionais que afirmaram já ter trabalhado doentes, 39,7% disseram que seu estado de saúde piorou e outros 32% relataram ter demorado mais para se recuperar.
Somados, os dois grupos representam 71,7% dos trabalhadores que perceberam algum impacto negativo na recuperação após permanecerem trabalhando durante um problema de saúde.
A pesquisa também aponta que as empresas ainda podem avançar na criação de ambientes que permitam aos funcionários se afastarem quando necessário. Apenas 26,4% dos entrevistados afirmaram que suas organizações incentivam claramente o descanso durante períodos de doença.
Para 43,7%, esse incentivo ocorre apenas parcialmente, enquanto 23% disseram não haver esse tipo de estímulo.
Trabalho durante doença e segurança
A relação entre trabalhar doente e segurança também aparece no levantamento. 89,4% dos trabalhadores acreditam que exercer suas atividades nessas condições aumenta o risco de erros ou acidentes.
Do total, 61% consideram que o risco aumenta muito, enquanto 28,4% avaliam que ele aumenta um pouco.
Para Teixeira, permitir que os funcionários se afastem quando necessário pode contribuir para a manutenção do desempenho das equipes no médio e longo prazo. Segundo o executivo, permanecer trabalhando durante um problema de saúde pode criar uma percepção imediata de produtividade, mas também resultar em recuperação mais lenta, maior possibilidade de erros e riscos à segurança.
A pesquisa reforça, assim, a discussão sobre o presenteísmo e sobre a necessidade de estabelecer limites entre as responsabilidades profissionais e os cuidados com a saúde dos trabalhadores.0






















