O Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu não incorporar a vacina recombinante adjuvada para a prevenção do herpes-zóster. A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) e tem como base relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
De acordo com o documento, disponível online, o imunizante foi considerado de alto custo em relação ao impacto esperado no combate à doença, o que inviabilizaria sua incorporação dentro dos critérios de Sustentabilidade orçamentária do sistema público de saúde.
A vacina é indicada para idosos com idade igual ou superior a 80 anos e para indivíduos imunocomprometidos a partir dos 18 anos. Apesar de reconhecer a relevância do imunizante na prevenção do herpes-zóster, o Comitê de Medicamentos da Conitec avaliou que seriam necessárias negociações adicionais sobre o preço.
“O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, aponta o relatório.
A análise incluiu estimativas de custo para a população elegível. Segundo a Conitec, a vacinação de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano geraria um custo anual de R$ 1,2 bilhão. No quinto ano, a imunização dos 471 mil pacientes restantes custaria aproximadamente R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total alcançaria R$ 5,2 bilhões, levando à conclusão de que a vacina não seria custo-efetiva para o SUS.
A portaria publicada ressalta, no entanto, que o tema poderá ser submetido a um novo processo de avaliação pela Conitec caso sejam apresentados fatos novos capazes de alterar o resultado da análise.
Herpes-zóster
O herpes-zóster é uma doença causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, especialmente em pessoas idosas ou com o sistema imunológico comprometido.
Os primeiros sintomas costumam incluir queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Em seguida, surgem manchas vermelhas que evoluem para bolhas cheias de líquido, que posteriormente secam e formam crostas. As lesões geralmente aparecem em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo, característica típica da doença. O quadro costuma durar de duas a três semanas.
Embora, na maioria dos casos, o herpes-zóster evolua para cura espontânea, a doença pode causar complicações graves, incluindo alterações na pele, no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos, conforme destacado pela Conitec.
Tratamento no SUS
O SUS oferece tratamento sintomático para casos leves, com medicamentos para aliviar dor, febre e coceira, além de orientações sobre higiene e cuidados com a pele. Em situações de maior risco, como em idosos, imunocomprometidos ou quadros graves, é indicado o uso do antiviral aciclovir.
Dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) e Hospitalares (SIH/SUS) mostram que, entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil.
Já informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade indicam que, entre 2007 e 2023, 1.567 pessoas morreram em decorrência da doença no país, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 0,05 óbito por 100 mil habitantes. Cerca de 90% das mortes ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, sendo 53,4% em idosos com mais de 80 anos.
Com informação agência Brasil.




















