Cinco mulheres negras de Ilhabela irão representar o município na edição 2026 da Feira Preta Festival, no Rio de Janeiro, considerada a maior celebração preta da América Latina. A participação acontece por meio do Projeto Das Pretas, iniciativa coordenada por Rosângela Sebastião, com aceleração e articulação do Oxigênio Ilhabela. O evento será realizado nos dias 29, 30 e 31 de maio, no Píer Mauá, Armazém Kobra e região da Pequena África, no Rio de Janeiro.
O grupo foi convidado oficialmente para ocupar um estande no festival, em território simbólico da diáspora africana no Brasil, onde está localizado o Cais do Valongo, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial.
A participação marca a primeira vez que o Projeto Das Pretas integra a programação da Feira Preta Festival e também a primeira representação de afroempreendedoras de Ilhabela no evento. A iniciativa busca ampliar a circulação da produção cultural e econômica de mulheres negras da ilha, fortalecendo conexões nacionais ligadas ao afroempreendedorismo, à economia criativa e ao afroturismo.
“Mais do que participar de um evento, essa travessia representa a ocupação de um espaço histórico por mulheres negras que constroem cultura, renda e pertencimento a partir do território onde vivem. Existe uma potência muito forte sendo produzida em Ilhabela e que agora amplia seu alcance”, afirma Rosângela Sebastião, coordenadora do Projeto Das Pretas.
A comitiva será formada por Rosângela Sebastião, Greice Manauara, Déia Souza, Noeli Ferreira e Dyulie Ben Bolon, empreendedoras que atuam em áreas como arte, cerâmica, moda, tecelagem, bem-estar ancestral, beleza e cuidado natural.
O convite surgiu a partir da aproximação construída durante o Fórum de Afroturismo e Economia Criativa realizado pelo Oxigênio Ilhabela. No encontro, Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta Festival, conheceu o trabalho desenvolvido pelo Projeto Das Pretas e pelas empreendedoras do território. A partir desse contato, nasceu o convite para a participação na edição carioca do festival.
Segundo o Oxigênio Ilhabela, o trabalho da incubadora foi estruturar condições para que a participação pudesse acontecer com suporte, organização e viabilidade operacional, além de conectar parceiros e negócios locais à iniciativa.
“O papel do Oxigênio foi ajudar a transformar essa oportunidade em algo possível, articulando parceiros, fortalecendo a comunicação da campanha e criando conexões para ampliar a presença dessas mulheres em um circuito nacional. Mas o centro dessa história está no trabalho realizado pelo Projeto Das Pretas ao longo dos anos e na trajetória construída por essas mulheres dentro do território”, afirma Aziz Camali, fundador do Oxigênio Ilhabela.
Campanha busca arrecadar recursos para a viagem
Para viabilizar a viagem, o grupo lançou uma campanha de financiamento coletivo por meio do site oficial do projeto. A meta é arrecadar R$ 18,5 mil para custear despesas de transporte, alimentação, hospedagem, materiais gráficos, logística e estrutura de participação no evento.
Até o momento, a campanha já ultrapassou R$ 15 mil arrecadados, mobilizando moradores, apoiadores, empresas, empreendedores e parceiros locais em torno da iniciativa. A ação também recebeu apoio institucional e da iniciativa privada.
A Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria de Cultura, ofereceu suporte logístico para a participação da comitiva, enquanto a rede internacional B&B Hotels será responsável pela hospedagem do grupo no Rio de Janeiro.
A proposta da campanha também busca estimular um modelo de investimento social coletivo e circulação econômica dentro do próprio território. Além das contribuições financeiras, empresas locais podem oferecer produtos, serviços e experiências como contrapartidas para apoiadores da iniciativa.
Afroempreendedorismo e novas narrativas sobre Ilhabela
Para o Oxigênio Ilhabela, a participação do Projeto Das Pretas ajuda a ampliar a percepção sobre a própria identidade cultural da cidade.
“Ilhabela é reconhecida nacionalmente pelas paisagens naturais e pelo turismo, mas existe também uma produção cultural negra, ancestral e criativa muito potente acontecendo no território. Fortalecer essas mulheres é fortalecer outras narrativas possíveis sobre a ilha”, complementa Aziz.
Além da comercialização de produtos durante o festival, a expectativa é que a participação gere novas conexões, oportunidades comerciais, convites para outros eventos e maior visibilidade para iniciativas ligadas ao afroempreendedorismo e à economia criativa desenvolvidas no Litoral Norte paulista.
Serviço
Feira Preta Festival 2026
Datas: 29, 30 e 31 de maio de 2026
Locais: Píer Mauá, Armazém Kobra e região da Pequena África, Rio de Janeiro (RJ)






















