O trabalho do fotógrafo segue marcado pela sensibilidade humana, mesmo diante dos avanços tecnológicos e do uso crescente da inteligência artificial. A avaliação é compartilhada por profissionais e pesquisadores da área, que destacam a importância do olhar humano para a produção de imagens com valor jornalístico, histórico e social.
O repórter-fotográfico Joédson Alves relembra uma cobertura realizada na década de 1990, durante a seca no Nordeste, quando ouviu de uma mãe, em Irecê, na Bahia, o relato da perda de dois filhos para a fome. Segundo ele, o momento exigiu mais do que técnica: foi necessário refletir sobre a forma de registrar a cena e respeitar a dor vivida pela família.
Com 35 anos de carreira, Joédson afirma que, apesar das transformações tecnológicas, a fotografia continua sendo resultado de escolhas humanas. Atualmente gerente executivo de Imagem, Arte e Web da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ele avalia que, no jornalismo público, o fotógrafo tem papel central na garantia do direito à informação e na preservação da memória coletiva.
Para o profissional, embora a Tecnologia esteja a serviço do interesse público, cabe ao fotógrafo definir enquadramento, tempo e narrativa visual. Segundo ele, a combinação entre conhecimento técnico, responsabilidade social e inovação contribui para a credibilidade da informação e para o valor histórico das imagens.
O professor de Fotojornalismo do Centro Universitário de Brasília (Ceub), Lourenço Cardoso, também ressalta que a fotografia vai além do domínio de equipamentos. Ele avalia que a digitalização ampliou o acesso à produção fotográfica, historicamente restrita devido aos altos custos, mas não substituiu a subjetividade envolvida no processo criativo.
De acordo com o pesquisador, após aprender a operar as ferramentas, o fotógrafo percebe que a imagem é resultado de interpretação e sensibilidade. Para ele, a fotografia integra o campo das produções artísticas atravessadas pela experiência humana, algo que não pode ser reproduzido por sistemas automatizados.
Na mesma linha, o fotógrafo Ricardo Stuckert, com mais de três décadas de atuação profissional, afirma que as imagens não apenas documentam fatos, mas também registram emoções e contextos. Segundo ele, com o avanço da inteligência artificial, a presença do fotógrafo se torna ainda mais relevante, já que tecnologias automatizadas não reproduzem percepção, ética e sensibilidade.
Stuckert avalia que a fotografia tem papel fundamental no enfrentamento da desinformação e na preservação da memória coletiva, ao oferecer registros que ajudam a compreender a realidade.
Sobre o uso da inteligência artificial, Joédson Alves observa que fabricantes de equipamentos têm buscado mecanismos para garantir a autenticidade das imagens produzidas por profissionais. Ele considera que a tecnologia pode trazer benefícios ao fotojornalismo, como maior agilidade, desde que não substitua a atuação humana.
Lourenço Cardoso ressalta que imagens geradas por inteligência artificial se baseiam em bancos de dados existentes e não produzem inovação subjetiva. Para ele, debates semelhantes já ocorreram em outros momentos da história da fotografia, quando novas tecnologias foram vistas como ameaças à profissão.
Segundo o pesquisador, o tempo demonstrou que o olhar humano permanece insubstituível. É essa subjetividade, afirma, que permite à fotografia produzir imagens capazes de impactar, mobilizar e dialogar com a sociedade.
Com informação agência Brasil.






















