.O mercado imobiliário brasileiro inicia 2026 com perspectivas de expansão, sustentadas por fatores macroeconômicos e medidas estruturais voltadas ao crédito habitacional. A expectativa de queda gradual da taxa Selic, projetada para encerrar o ano em 12,25%, aliada ao aumento do orçamento de programas públicos e a mudanças nas regras de financiamento, cria um ambiente mais favorável à concessão de crédito e à retomada das vendas.
Entre os principais vetores desse movimento está o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que deve ganhar maior protagonismo ao longo do ano. O Ministério das Cidades anunciou a meta de contratação de 1 milhão de unidades habitacionais em 2026, um crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior, ampliando o alcance do crédito para famílias de baixa e média renda.
Segundo analistas do setor, o cenário atual reflete uma combinação entre política monetária e ajustes nos instrumentos de financiamento imobiliário. Em outubro de 2025, o Conselho Monetário Nacional aprovou um novo modelo de crédito que amplia o acesso dos bancos aos recursos da poupança, principal fonte do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A medida tende a reduzir o custo do funding e aumentar a capacidade de concessão de financiamentos.
Os efeitos desse ambiente mais favorável já começam a ser percebidos no comportamento dos consumidores. Com a sinalização de queda dos juros, parte dos compradores tem antecipado a decisão de compra, especialmente nos segmentos de médio e alto padrão, mais sensíveis à variação da taxa Selic. No caso do Minha Casa Minha Vida, o impacto está mais diretamente relacionado à disponibilidade de recursos do FGTS e ao orçamento público, do que à taxa básica de juros.
As projeções para 2026 indicam que a antecipação da compra deve ser o principal movimento do mercado, enquanto estratégias como portabilidade e renegociação de contratos tendem a ganhar força apenas a partir de 2027. A avaliação é que compradores que se posicionarem mais cedo podem se beneficiar de condições de crédito mais favoráveis e reduzir a exposição a uma possível valorização acelerada dos imóveis.
Esse risco de aumento nos preços é apontado como um dos principais desafios do setor. Em cenários de crédito mais acessível e demanda aquecida, pode ocorrer um descompasso entre oferta e procura, pressionando os valores dos imóveis, como já observado em ciclos anteriores.
Apesar do otimismo, especialistas ressaltam que o ano não está livre de riscos. Caso as políticas de crédito não acompanhem o ritmo da demanda, podem surgir gargalos na concessão de financiamentos e atrasos nas contratações. Ainda assim, a expectativa é de que o alinhamento entre Políticas públicas, sistema financeiro e setor produtivo seja determinante para consolidar o crescimento do mercado imobiliário ao longo de 2026.






















