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Indústria da moda: “momento vai revelar consumidores mais conscientes”, afirma especialista

Em um momento de quedas e agendas canceladas, setor da moda têm a oportunidade de se reinventar em questões antigas e emergir com novos modelos de negócios, dessa vez, mais sustentáveis

Desfiles, coleções e produções, canceladas. O mercado da moda, um dos que mais faturam e empregam no mundo, sente em todas as pontas os impactos da crise causada pelo Covid 19.

Foi um dos setores mais afetados com a queda de vendas, segundo a Câmara de Comércio Internacional (CCI), ao lado dos setores de turismo e aviação, todos esses, considerados não essenciais.

E mais do que nunca, mas como sempre, a indústria da moda precisa se reinventar: dessa vez, para lançar novas tendências de produção e de consumo no mundo pós pandemia.

O cenário global enfrenta índices de queda e também, de paralisações. Eventos relevantes do mercado como a Semana de Moda Masculina, São Paulo Fashion Week e Semana da Alta-Costura, todos cancelados ou adiados.

Além disso, o mercado da moda ficou completamente sem uma cadeia de fabricação, pois grande parte da produção têxtil mundial é feita por países da Ásia, que estão parados.

No Brasil, segundo o Instituto Senai de Tecnologia Têxtil e de Confecção (Senai Cetiqt), o país registrou 70% das empresas suspendendo produções.

Para amenizar esses impactos, o mercado tem tomado medidas e ações significativas.

A Fashion Revolution, movimento global sem fins lucrativos, por exemplo, está mobilizando as marcas a manterem seus pedidos ativos, com os devidos pagamentos, como forma de evitar um colapso ainda maior nas linhas da produção.

Além disso, especialistas apontam que as grandes marcas já podem seguir o modelo das mais independentes.

A proposta é reajustar os sistemas de produção, lançando, por exemplo, menos coleções e com menor frequências de entregas. Assim, o novo momento traz à tona questões antigas da indústria da moda que, agora, precisam ser consideradas com respostas mais urgentes.

Novo olhar

A designer e consultora de moda, Jaadi Fonseca, graduada pela escola de moda Parsons, estuda os padrões de comportamento dos consumidores, a economia criativa e modelos de produções sustentáveis.

Com base em suas experiências, ela revela uma visão diferenciada da moda na pandemia: o surgimento de consumidores e mercados ainda mais sustentáveis.

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Jaadi Fonseca é consultora em Design Estratégico na hive – consultoria focada em impacto social-ambiental maximizando o impacto de empresas e de organizações em fundos lucrativos

Nessa perspectiva, Jaadi aponta que o momento agora trouxe à tona as desigualdades sociais e produções insustentáveis que existem no nicho da moda. “Com o declínio da demanda, vemos que todos os produtores e pessoas que realmente sustentam essa indústria ficaram à mercê e sem estrutura nenhuma”, aponta a consultora. “Isso nos faz repensar nesses processos, no porquê se ganha tanto com esse setor e se distribui de forma tão desigual. Vemos claramente que esse relacionamento precisa ser repensado ”, ressalta.

Ainda com relação às novas perspectivas, Jaadi afirma que esse momento vai revelar consumidores mais conscientes. “ A situação atual está gerando novos hábitos, pois as pessoas em casa consomem menos e começam a se apaixonar novamente pelas coisas que tem. A pandemia vai trazer os impactos sociais pras pessoas e isso muda a opinião e perspectiva que elas tem sobre as coisas”, revela.

As tecnologias de automação e 4.0 também seguem sendo boas ferramentas usadas no trabalho remoto das empresas do mercado têxtil nesse momento.

Para Jaadi, esses métodos devem ser incorporados daqui pra frente, cada vez mais, com o objetivo de processos mais sustentáveis. Mas, com relação à era digital, ela aponta que uma nova forma como se comunicar e vender no e-commerce merece uma nova mentalidade. “Esse novo período exigiu que as empresas buscassem se adaptar no meio online. E é preciso pensar na mensagem que vão divulgar, porque hoje as marcas precisam também ter empatia pelas causas, expondo aos consumidores o porquê é sustentável, o porquê ela o respeita, mantendo assim um relacionamento mais humano e empático”, completa.

Comunicação de nichos

Com olhos sempre no futuro, principalmente pós-pandemia, Jaadi Fonseca transita e estuda todas as pontas da indústria têxtil.

Sua relação com a sustentabilidade, segundo ela, vem desde pequena dentro de casa, com sua mãe e seu pai, o ator, dançarino cantor, Sebastian Soul, que foi muito reconhecido por seu trabalho ao longo de 20 anos sendo garoto propaganda da famosa marca holandesa de moda – C&A.

Ela afirma que a carreira do pai abriu, em alguns momentos, indiretamente, portas para alguns trabalho, como quando trabalhou no setor de marketing da rede Riachuelo, agregando mais essa experiência em seu crescimento pessoal e profissional.

Todas essas influências, aliadas às suas pesquisas, levaram Jaadi a mais uma conclusão: hoje, há plataformas e meios disponíveis para que empresas, pessoas e planeta vivam em maior equilíbrio. E uma aposta que ela faz nessa luta, ainda que hoje em forma de um grande sonho, é com a aproximação dos diversos setores. “ É preciso colocar as pessoas de diferentes áreas juntas para resolver as situações. Hoje, muitos problemas que a indústria da moda tinha, os cientistas já sabiam a solução, mas estes setores apenas não estavam se comunicando”, diz. “As oportunidades para mudarmos existem, estão aqui, o mais importante é ter essa nova mentalidade para fazer dar certo”.


Redação:  Bianca Nascimento

2 Comentários
  1. Paul Diz

    Muito legal esse artigo !

  2. Mathilda Diz

    Também achei

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