A Reforma Tributária já começa a exigir decisões estratégicas das empresas em 2026. A Resolução CGSN nº 186 antecipou para o período de 1º a 30 de setembro de 2026 a opção pelo Simples Nacional para o ano-calendário de 2027 e, de forma excepcional, a escolha pelo regime regular de apuração do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) durante o primeiro semestre do próximo ano.
O cancelamento da opção poderá ser realizado até o último dia de novembro de 2026.
A mudança altera a dinâmica tradicional adotada pelas micro e pequenas empresas, que normalmente realizavam essa definição no início do ano. Com a antecipação, o planejamento tributário passa a ter papel ainda mais relevante na estratégia financeira dos negócios.
Escolha pode impactar custos e margem de lucro
Segundo o contabilista Fábio Edelberg, CEO da Navecon, empresa que atende mais de 1.350 clientes em todo o país, a decisão deve ser tomada com base em uma análise detalhada da estrutura operacional da empresa.
“Não é mais uma escolha apenas de enquadramento. A empresa precisa olhar para fornecedor, contrato, fluxo de caixa e qualidade da escrituração. Dependendo da estrutura da operação, uma decisão mal feita em 2026 pode elevar custos e reduzir margem em 2027”, afirma.
Para o especialista, a reforma altera significativamente os critérios que influenciam o custo efetivo dos tributos.
Créditos tributários ganham importância
A Resolução nº 186 estabelece que empresas optantes pelo Simples Nacional poderão, excepcionalmente, recolher IBS e CBS pelo regime regular entre janeiro e junho de 2027 sem deixar o regime simplificado.
De acordo com a Receita Federal, a medida busca facilitar a transição para o novo modelo tributário e ampliar as alternativas disponíveis aos contribuintes durante o período de adaptação.
Na avaliação de Edelberg, a capacidade de gerar e aproveitar créditos tributários passará a ser um fator decisivo para a competitividade das empresas.
“Empresas com compras registradas corretamente, escrituração consistente e cadeia de fornecedores mais organizada tendem a ter mais previsibilidade para avaliar se vale permanecer integralmente no Simples ou testar a apuração regular de IBS e CBS. Já negócios com baixa rastreabilidade podem perder eficiência tributária justamente na transição”, explica.
Planejamento antecipado será fundamental
Com a proximidade do prazo de opção, especialistas recomendam que empresários iniciem desde já uma revisão dos processos contábeis, contratos com fornecedores e fluxo financeiro para identificar qual regime tributário poderá trazer melhores resultados em 2027.
A expectativa é que a transição para o novo sistema tributário exija maior organização das informações fiscais e uma gestão mais estratégica dos créditos gerados ao longo da cadeia produtiva.






















