A entrega das chaves não encerra as despesas relacionadas a um empreendimento. Após a conclusão da obra, construtoras ainda precisam lidar com solicitações de manutenção, acionamentos de garantia, deslocamentos de equipes, retrabalhos e atendimento aos proprietários. Segundo dados atribuídos à Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os custos relacionados ao pós-obra podem representar até 5% do valor total de um empreendimento.
Parte dessas despesas não aparece de forma direta nos balanços das empresas. Processos descentralizados, informações distribuídas entre planilhas e sistemas, dificuldades no acompanhamento de garantias e tarefas administrativas manuais podem aumentar o tempo gasto pelas equipes e gerar custos adicionais.
Nesse cenário, a digitalização começa a avançar também sobre a etapa posterior à entrega dos imóveis. Plataformas voltadas à gestão do pós-obra permitem centralizar informações sobre vistorias, assistência técnica, manutenção preventiva, garantias e atendimento aos proprietários.
Uma das empresas que atua nesse segmento é a FastBuilt, construtech fundada em 2018. A companhia oferece uma plataforma que reúne informações da jornada do imóvel e permite registrar chamados, documentos, imagens, histórico das unidades, agendas de equipes e indicadores de atendimento em um mesmo ambiente.
A adoção desse tipo de ferramenta tem sido acompanhada por construtoras em diferentes regiões do país. Entre os casos apresentados pela empresa está o da Tenda, que iniciou um projeto-piloto para digitalizar processos de pós-obra. Segundo os dados divulgados, o tempo médio de atendimento aos chamados caiu de 15 para nove dias, uma redução de 40%. A empresa também registrou aumento de 11% no número de condomínios atendidos pela mesma equipe.
O sistema, inicialmente utilizado em 28 empreendimentos, passou posteriormente a estar presente em mais de 260 unidades, segundo informações da FastBuilt.
Outro caso citado é o da Santo André Empreendimentos, de Campinas (SP). Antes da digitalização, parte do trabalho da equipe de relacionamento envolvia organizar solicitações e conciliar horários entre clientes e técnicos. Com a centralização das informações, o tempo médio entre a abertura e a resolução dos chamados passou de 30 para 15 dias. A empresa também informou ter registrado redução de 35% no volume de chamados, atribuída, entre outros fatores, ao acesso dos clientes a informações e orientações sobre os imóveis.
Para Jean Ferrari, CEO da FastBuilt, a digitalização pode contribuir não apenas para reduzir despesas, mas também para direcionar as equipes para atividades que exigem maior capacidade de análise e tomada de decisão.
“Quando uma equipe deixa de gastar horas procurando informações, organizando planilhas ou intermediando tarefas que podem ser automatizadas, esse tempo volta para atividades que realmente exigem conhecimento e tomada de decisão”, afirma.
Além da redução do tempo de atendimento, a organização dos dados do pós-obra pode ajudar as construtoras a identificar problemas recorrentes. O histórico de solicitações, manutenções e garantias permite identificar padrões que podem ser considerados no planejamento e na execução de novos empreendimentos.
A Tecnologia também pode contribuir para melhorar o acompanhamento das responsabilidades relacionadas às garantias e facilitar a comunicação entre construtoras, equipes técnicas, administradoras e proprietários.
Para Ferrari, a transformação digital nessa área vai além da substituição de planilhas por sistemas informatizados. “O ganho acontece quando a tecnologia organiza processos, conecta informações e oferece dados para decisões melhores”, afirma.
O avanço da digitalização do pós-obra ocorre em um momento em que a construção civil busca elevar a produtividade e controlar custos. Ao concentrar informações e automatizar tarefas operacionais, as ferramentas digitais podem reduzir retrabalhos e dar maior visibilidade às etapas que continuam depois da conclusão física dos empreendimentos.






















