O Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, chama a atenção para um problema de saúde pública cada vez mais frequente no Brasil: o aumento dos acidentes envolvendo idosos. Dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, mostram que o número de pacientes transferidos para a unidade após sofrerem quedas cresceu quase 50% entre janeiro e maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o hospital recebeu 258 pacientes vítimas de quedas, número que representa mais da metade dos casos de trauma encaminhados à instituição. Como o Into atende apenas ocorrências de maior complexidade, a maioria dos pacientes precisou passar por avaliação especializada e, em muitos casos, por procedimentos cirúrgicos.
Envelhecimento da população influencia aumento dos casos
De acordo com o chefe do Centro de Trauma do Into, Tito Rocha, o envelhecimento da população brasileira é um dos principais fatores por trás do crescimento das ocorrências. Mais de 70% dos pacientes atendidos por queda tinham 60 anos ou mais.
Segundo o especialista, alterações naturais do envelhecimento, como perda de equilíbrio, redução da força muscular e diminuição da capacidade visual, aumentam o risco de acidentes.
“A falta do equilíbrio, a diminuição da força e a perda da acuidade visual são fatores que surgem com a idade. Como a população está vivendo mais, também aumentam os problemas relacionados ao envelhecimento”, explica.
Quedas simples podem causar lesões graves
O levantamento mostra ainda que a maioria dos acidentes ocorreu por quedas da própria altura, situação comum em atividades rotineiras dentro de casa.
Embora pareçam acidentes simples, as consequências podem ser severas para os idosos. Fraturas de quadril, fêmur e outras lesões ortopédicas frequentemente exigem cirurgias e longos períodos de recuperação.
“O jovem normalmente consegue se recuperar rapidamente de uma queda simples. Já o idoso pode sofrer fraturas graves e perder autonomia, precisando de internação e cuidados prolongados”, afirma Rocha.
Além das lesões, a hospitalização aumenta o risco de complicações como infecções urinárias, pneumonias e outras doenças associadas à permanência prolongada em leitos hospitalares.
Segundo o especialista, a mortalidade relacionada a fraturas em idosos pode variar entre 20% e 30% no período de até um ano após o acidente.
Exercícios físicos ajudam na prevenção
Entre as principais medidas preventivas, os especialistas destacam a prática regular de atividades físicas, que contribuem para a manutenção da força muscular, do equilíbrio e da saúde óssea.
O acompanhamento médico para diagnóstico e tratamento da osteoporose também é considerado fundamental para reduzir o risco de fraturas em caso de quedas.
“Uma pessoa que já apresenta dificuldade para levantar de uma cadeira, por exemplo, terá uma recuperação muito mais complicada caso sofra uma fratura”, observa o médico.
Adaptação da casa reduz riscos
Outra recomendação importante é a adaptação dos ambientes domésticos para torná-los mais seguros para os idosos.
Entre as medidas indicadas estão:
- Instalação de barras de apoio em banheiros;
- Retirada de tapetes soltos;
- Uso de calçados antiderrapantes;
- Melhor iluminação dos ambientes;
- Atenção à circulação de animais domésticos dentro de casa.
Segundo os especialistas, pequenas mudanças podem reduzir significativamente o risco de acidentes.
Longevidade exige novos cuidados
Apesar dos desafios, Tito Rocha ressalta que o aumento da expectativa de vida é uma conquista importante da sociedade. O principal desafio, segundo ele, é garantir que o envelhecimento ocorra com qualidade de vida, autonomia e segurança.
“Chegar aos 90 anos é algo extremamente positivo. Mas isso exige atenção aos cuidados com a saúde, porque pessoas mais idosas costumam apresentar mais fragilidade física, doenças associadas e, em alguns casos, déficits cognitivos”, conclui.
Com informação Agência Brasil.






















