A digitalização das operações de um terminal de contêineres vazios em Callao, no Peru, reduziu o tempo médio de espera dos caminhões de até três horas para aproximadamente 30 minutos. A redução, superior a 80%, ocorreu após a implantação de uma plataforma para automatizar processos e integrar informações operacionais.
O projeto foi realizado pela empresa brasileira eProfessionalTI na operação da CIMC Wetrans Logistics no Peru. A solução substituiu controles que eram realizados manualmente, com uso de planilhas eletrônicas e documentos em papel.
A plataforma passou a integrar diferentes etapas da operação, incluindo acesso de veículos, movimentação no pátio, armazenagem, inspeção, manutenção e reparo de contêineres. As informações passaram a ser disponibilizadas em tempo real para o acompanhamento das atividades.
Segundo Juan Carlos Kianman, gerente-geral da CIMC Wetrans Logistics Peru, a adoção do sistema permitiu que transportadoras e caminhoneiros realizassem agendamentos antecipadamente, reduzindo a formação de filas e aumentando a capacidade operacional sem a necessidade de ampliar a estrutura física do terminal.
Localizado próximo ao Porto de Callao e ao principal aeroporto do Peru, o terminal tem capacidade para aproximadamente 390 contêineres vazios e movimenta cerca de 600 unidades por dia.
Integração com companhia marítima
Uma das etapas do projeto foi a integração eletrônica entre o terminal e a Hapag-Lloyd. O sistema utiliza mensagens EDI (Electronic Data Interchange) para automatizar o compartilhamento de informações relacionadas às operações.
Entre os dados transmitidos estão eventos logísticos e informações de reservas. A integração reduziu a necessidade de inserção manual de dados e permitiu agilizar o processamento das operações.
A utilização de sistemas integrados entre terminais, transportadoras, operadores logísticos e companhias marítimas tem sido ampliada no setor como forma de reduzir etapas manuais e melhorar o fluxo de informações.
Monitoramento em tempo real
A digitalização também permitiu reunir indicadores utilizados no acompanhamento da operação do terminal. Entre eles estão o tempo de permanência dos caminhões, ocupação do pátio, disponibilidade de contêineres, produtividade das equipes, inspeções, reparos, limpeza e movimentações internas.
O acompanhamento desses dados permite identificar gargalos e auxiliar o planejamento das atividades. A utilização de informações em tempo real também pode contribuir para melhorar a previsibilidade das operações e o uso dos equipamentos.
Para Luiz Santos, diretor de Desenvolvimento de Projetos da eProfessionalTI, a digitalização não se limita à substituição de documentos físicos por sistemas eletrônicos.
“Os maiores ganhos surgem quando todas as informações passam a circular automaticamente entre operadores logísticos, terminais, armadores e transportadoras. A integração reduz erros, aumenta a velocidade das operações e cria uma base confiável de dados para decisões estratégicas.”
Entre os indicadores monitorados pelo sistema estão o tempo de espera dos caminhões, duração das inspeções, ocupação do pátio, disponibilidade de contêineres, produtividade, limpeza, reparos, reposicionamentos, recusas de motoristas, utilização de equipamentos e desempenho das equipes.
Expansão da digitalização logística
A experiência no terminal de Callao ocorre em um cenário de maior adoção de tecnologias digitais no setor portuário e logístico. A automação de processos, a integração entre sistemas e o uso de dados em tempo real são utilizados para aumentar a eficiência das operações e reduzir custos.
Com sede em Santos (SP), a eProfessionalTI desenvolve sistemas voltados ao setor marítimo e portuário e possui operações também em outros países da América Latina.
O projeto realizado no Peru representa uma aplicação de Tecnologia brasileira em uma operação logística internacional e evidencia a crescente importância da integração digital entre terminais, transportadoras, armadores e demais participantes da cadeia de transporte.
A adoção dessas ferramentas busca reduzir atividades manuais, melhorar o fluxo de veículos e mercadorias e aumentar a capacidade de planejamento das operações sem depender exclusivamente da expansão física dos terminais.






















