O carnaval de 2026 do Grupo Especial do Rio de Janeiro terá predominância de enredos biográficos. Oito das 12 escolas vão levar para a Marquês de Sapucaí histórias de personalidades das artes, da cultura popular, da religião e da política, com foco na valorização da cultura negra, na construção de identidades e na denúncia de preconceitos históricos.
Entre os homenageados estão o compositor e pintor Heitor dos Prazeres, tema da Unidos de Vila Isabel; o cantor Ney Matogrosso, enredo da Imperatriz Leopoldinense; a cantora e compositora Rita Lee, escolhida pela Mocidade Independente de Padre Miguel; a escritora Carolina Maria de Jesus, que será celebrada pela Unidos da Tijuca; e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, homenageado pela Acadêmicos de Niterói.
Também integram a lista a carnavalesca Rosa Magalhães, tema do Acadêmicos do Salgueiro, e o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, homenageado pela Acadêmicos do Viradouro. A exaltação da cultura negra aparece ainda nos enredos sobre o curandeiro amapaense Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca, escolhido pela Estação Primeira de Mangueira, e sobre o líder religioso Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio do Bará, tema da Portela.
Outros desfiles reforçam a valorização das matrizes africanas. A Paraíso do Tuiuti apresentará o enredo Lonã Ifá Lukumi, sobre a religião afro-cubana Santería, enquanto a Beija-Flor de Nilópolis abordará o Bembé do Mercado, manifestação religiosa do Recôncavo Baiano. Já a Acadêmicos do Grande Rio prestará homenagem ao movimento cultural Manguebeat, surgido em Recife na década de 1990.
Programação dos desfiles
Os desfiles do Grupo Especial ocorrerão, pelo segundo ano consecutivo, em três dias: domingo (15), segunda-feira (16) e terça-feira (17) de fevereiro.
Domingo (15/2):
Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela, Estação Primeira de Mangueira
Segunda-feira (16/2):
Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Viradouro, Unidos da Tijuca
Terça-feira (17/2):
Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio, Acadêmicos do Salgueiro
Memória, identidade e pedagogia
Para o sociólogo Rodrigo Reduzino, as escolas de samba exercem historicamente um papel político e pedagógico. Segundo ele, desde a criação da primeira escola, a Deixa Falar, em 1928, os enredos refletem temas ausentes da história oficial, incluindo questões raciais e sociais.
A historiadora Nathalia Sarro, diretora do departamento cultural da Unidos de Vila Isabel, afirma que os enredos educam, constroem identidades e mobilizam emoções. Para ela, a capacidade de emocionar é central na função do desfile e contribui para transformações sociais.
Os especialistas participaram do 1º Simpósio Temático “MIS Chama Para Sambar”, promovido pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em dezembro.
Ensaios técnicos
Os ensaios técnicos das escolas de samba, abertos ao público, acontecem entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, e servem como prévia dos desfiles oficiais.
Com informação agência Brasil.






















