Mais da metade dos candidatos ouvidos pela Heach Recursos Humanos afirma já ter utilizado inteligência artificial para responder perguntas ou realizar testes, cases e tarefas em processos seletivos.
O percentual de 53,1% faz parte de um levantamento com 3.040 participantes das cinco regiões brasileiras, selecionados a partir do banco de dados da empresa, que reunia aproximadamente 14 milhões de currículos em setembro de 2026. Os resultados descrevem as respostas dos participantes ouvidos.
Entre os entrevistados, 41,2% relatam ter recorrido à IA em provas, testes técnicos ou desafios destinados a avaliar seu próprio conhecimento. Outros 39,4% afirmam ter apresentado conteúdo produzido total ou majoritariamente pela ferramenta como se fosse de sua autoria. Durante entrevistas de emprego, 35,8% dizem ter utilizado IA para formular respostas em tempo real.
“Uma empresa pode receber um teste correto e um case convincente sem conseguir identificar quanto daquele resultado foi produzido pelo candidato. Se a etapa foi criada para medir conhecimento individual, essa distinção é indispensável para tomar uma decisão de contratação”, afirma Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos.
62,7% usariam IA para aumentar chances de contratação
Questionados sobre a possibilidade de utilizar inteligência artificial caso isso aumentasse muito suas chances de conseguir uma vaga, 62,7% responderam “certamente sim” ou “provavelmente sim”.
Esse resultado representa uma intenção declarada. Os demais percentuais se referem a experiências que os participantes afirmam já ter vivido.
“Se a empresa não informa o que é permitido, cada candidato estabelece seu próprio limite. No fim, o recrutador pode comparar respostas produzidas em condições diferentes como se todos tivessem passado pela mesma avaliação”, diz Teixeira.
Uso varia entre faixas etárias
Entre os participantes de 18 a 24 anos, 63,9% afirmam já ter usado IA para responder perguntas ou realizar etapas de seleção. Na faixa de 55 anos ou mais, o percentual é de 28,9%, uma diferença de 35 pontos percentuais.
A apresentação de conteúdo gerado por IA como se fosse próprio foi relatada por 49,8% dos mais jovens e por 17,8% dos participantes com 55 anos ou mais.
Já o uso durante entrevistas, para formular respostas em tempo real, aparece em 48,3% e 14,3% das respostas desses grupos, respectivamente.
“Os candidatos chegam aos processos seletivos com hábitos tecnológicos diferentes. Cabe às empresas estabelecer regras claras para todos e construir avaliações que mostrem a contribuição real de cada pessoa”, destaca o executivo.
Uso da ferramenta depende do objetivo da avaliação
Para Teixeira, recorrer à inteligência artificial não caracteriza, por si só, uma irregularidade. Em funções que exigem trabalhar com a Tecnologia, saber utilizá-la pode ser uma competência relevante para a contratação.
Quando o objetivo é verificar conhecimento individual, porém, as condições do teste precisam permitir essa avaliação.
A recomendação é comunicar previamente se a IA pode ser utilizada, em quais atividades e se seu uso deve ser declarado. Em cases e tarefas com apoio da ferramenta, pedir ao candidato que explique as decisões tomadas pode ajudar a identificar seu raciocínio e sua contribuição.
“Não basta perguntar se o candidato usou IA. A empresa precisa saber o que queria medir naquela etapa. Uma seleção bem desenhada consegue avaliar o domínio da ferramenta quando ele é relevante e verificar o conhecimento individual quando ele é necessário”, conclui.
Fonte: levantamento e informações fornecidos pela Heach Recursos Humanos.






















