Uma regra adotada pelo governo dos Estados Unidos permite que alguns solicitantes de vistos de turismo e negócios sejam obrigados a apresentar uma caução de até US$ 20 mil. O programa, que passou a ser permanente em agosto, atualmente abrange cidadãos de 50 países, mas não inclui o Brasil.
A medida é aplicada a determinados solicitantes dos vistos B1 e B2 e estabelece valores de US$ 10 mil, US$ 15 mil ou US$ 20 mil, conforme o caso. A quantia funciona como uma garantia financeira relacionada ao cumprimento das condições de permanência no país e pode ser devolvida quando as exigências estabelecidas são cumpridas.
A possibilidade de expansão da política, no entanto, passou a chamar a atenção do setor de turismo. Nesta semana, a U.S. Travel Association, entidade que representa empresas do setor nos Estados Unidos, manifestou preocupação com uma eventual ampliação da exigência para outras nacionalidades.
Brasil não está entre os países afetados
Apesar das discussões sobre uma possível expansão, brasileiros não estão atualmente sujeitos à caução para solicitar vistos B1 ou B2.
Segundo Caroline Azevedo, advogada especializada em imigração e licenciada nos Estados Unidos, a transformação do programa em uma política permanente merece acompanhamento, mas não há cobrança desse tipo para brasileiros neste momento.
“É importante deixar claro que o Brasil não faz parte da lista atual de países sujeitos ao caução. O que chama atenção neste momento é a transformação de uma medida que era temporária em uma política permanente e a possibilidade de novos países serem incluídos”, explica.
A especialista ressalta que brasileiros não precisam desembolsar os valores previstos pelo programa para solicitar atualmente o visto de turismo ou negócios.
Objetivo é reduzir permanências irregulares
A política foi criada como uma ferramenta para reduzir casos de estrangeiros que permanecem nos Estados Unidos além do período autorizado. Após uma fase experimental, o governo norte-americano decidiu tornar o mecanismo permanente.
A medida, entretanto, também teve reflexos sobre a procura por vistos entre os países submetidos ao programa. Dados apresentados durante o processo de regulamentação apontaram queda de 83% na emissão de vistos B1/B2 desses países nos primeiros dez meses da experiência.
Para o setor turístico, uma eventual ampliação para mercados com grande fluxo de visitantes poderia representar uma barreira financeira relevante. Embora a caução seja potencialmente reembolsável, o viajante precisa ter o valor disponível para realizar a viagem.
“Existe uma diferença grande entre uma taxa e uma caução, e isso precisa ficar claro. A caução não significa necessariamente perder US$ 20 mil, mas exige que o viajante tenha esse recurso disponível”, afirma Caroline.
Orientação é acompanhar canais oficiais
A lista de países submetidos à exigência é definida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e pode ser alterada. Por isso, especialistas recomendam que viajantes acompanhem informações divulgadas pelas autoridades norte-americanas.
Também é importante evitar pagamentos a terceiros que aleguem ser necessária uma suposta “taxa de US$ 20 mil” para obtenção do visto.
“O brasileiro precisa saber que não existe hoje essa cobrança para solicitar o visto americano. Caso haja qualquer mudança que envolva o país, ela precisa ser oficialmente comunicada pelas autoridades norte-americanas”, reforça a especialista.
A discussão ocorre em meio às preocupações do setor turístico norte-americano com o fluxo internacional. Dados preliminares citados pela U.S. Travel Association indicam queda de 4,3% nas viagens internacionais aos Estados Unidos no acumulado de 2026 até junho.
A possível ampliação da caução coloca em debate o equilíbrio entre o controle migratório e o interesse econômico do país em manter a entrada de visitantes estrangeiros.






















