Perder o fôlego ao subir uma escada ou realizar pequenos esforços pode ser mais do que falta de condicionamento físico. No Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, lembrado nesta quinta-feira (9), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça a importância de reconhecer os sinais da doença, que atinge cerca de 1,7 milhão de brasileiros.
Além da falta de ar durante esforços, os principais sintomas incluem fadiga muscular e retenção de líquidos. Como esses sinais também podem estar associados ao envelhecimento ou ao sedentarismo, muitas pessoas demoram a procurar atendimento médico.
Segundo o cardiologista Marcus Simões, membro da SBC e coordenador da diretriz brasileira de insuficiência cardíaca da entidade, o esforço físico costuma revelar quando o coração não está funcionando adequadamente.
“Durante o esforço físico, o coração é mais requisitado. Quando você força a musculatura, ela tem que receber mais sangue, e aí o coração tem que bombear mais sangue. Então, é na hora do esforço que o coração usualmente demonstra que não está bem”, explica.
Doença pode ser consequência de outros problemas cardíacos
A insuficiência cardíaca é mais frequente em idosos e mulheres e geralmente se desenvolve como consequência de outras doenças cardiovasculares.
Entre as principais causas estão:
- sequelas de infarto;
- doenças nas válvulas do coração;
- hipertensão arterial;
- diabetes;
- doença de Chagas;
- outras doenças que comprometem o músculo cardíaco.
Quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente para o organismo, começam a surgir os sintomas característicos da insuficiência cardíaca.
Risco de internação e mortalidade
De acordo com a SBC, a insuficiência cardíaca pode representar a primeira manifestação de doenças graves e está associada a elevado risco de complicações.
Segundo Marcus Simões, pacientes podem sofrer diversas internações por descompensação da doença e apresentam risco de mortalidade entre 30% e 50% em até cinco anos após o diagnóstico.
Diagnóstico é feito com avaliação clínica e exames
O diagnóstico da insuficiência cardíaca começa pela avaliação clínica realizada pelo médico e pode ser confirmado por exames como:
- raio-X de tórax;
- ecocardiograma (ultrassom do coração);
- exames de sangue com biomarcadores.
Esses exames ajudam a identificar alterações na estrutura e no funcionamento do coração.
Tratamento exige uso contínuo de medicamentos
A insuficiência cardíaca não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos, muitos deles disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, aproximadamente um em cada quatro episódios de descompensação ocorre porque o paciente interrompe o tratamento.
Além da suspensão dos medicamentos, infecções, arritmias, hipertensão, infarto e miocardite também podem agravar o quadro e levar à necessidade de internação.
Exercícios físicos fazem parte do tratamento
A prática de atividade física orientada é considerada uma das medidas fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Segundo o cardiologista, a reabilitação física ajuda tanto o coração quanto a musculatura esquelética, permitindo que o paciente recupere gradualmente sua capacidade funcional.
As recomendações atualizadas para diagnóstico, tratamento e reabilitação estarão na nova Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca, que será lançada em outubro durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro.
Com informação Agência Brasil






















