Uma pesquisa internacional inédita apresentada pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) aponta medidas para ampliar o financiamento climático e acelerar a descarbonização da indústria. O estudo será debatido em 2 de junho durante o Seminário TVI – Projeto Transição Verde na Indústria, no Rio de Janeiro, e reúne contribuições de especialistas e instituições ligadas ao desenvolvimento sustentável.
O levantamento analisa o papel das Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) na transição verde do setor industrial e identifica soluções para ampliar o acesso a recursos destinados à redução das emissões de carbono em segmentos considerados estratégicos para a economia.
Entre as principais recomendações estão a ampliação dos mecanismos de blended finance — que combinam recursos concessionais e capital privado —, o fortalecimento das chamadas finanças de transição, a assistência técnica para a elaboração de projetos sustentáveis e a criação de roteiros setoriais de descarbonização.
Desafios para o financiamento climático
De acordo com o estudo, a indústria responde por cerca de 30% das emissões globais de carbono, mas recebe apenas 1,3% do financiamento climático mundial. A pesquisa atribui essa diferença à complexidade dos projetos industriais, aos custos elevados de implantação de novas tecnologias e às incertezas sobre as rotas de descarbonização em diferentes setores.
O levantamento também identifica obstáculos tanto para as empresas quanto para o sistema financeiro. Entre eles estão os altos custos de capital, exigências de garantias, dificuldades na mensuração e divulgação de indicadores climáticos, ausência de padrões harmonizados para classificação de investimentos sustentáveis e insegurança regulatória.
Além disso, a falta de conhecimento técnico para avaliar tecnologias de baixo carbono é apontada como uma barreira para a expansão dos investimentos no setor.
Recomendações para acelerar a transição verde
Para enfrentar esses desafios, o estudo sugere a ampliação de estruturas financeiras que permitam reduzir riscos e atrair investimentos privados para projetos sustentáveis.
Outra recomendação é o fortalecimento das finanças de transição, modelo voltado à redução gradual das emissões em setores industriais que ainda não dispõem de alternativas tecnológicas consolidadas para alcançar a neutralidade de carbono.
A pesquisa também destaca a importância do apoio não financeiro oferecido pelas instituições de desenvolvimento, incluindo assistência técnica para elaboração de estudos de viabilidade, preparação de projetos e adequação a exigências climáticas internacionais.
Entre as medidas propostas está ainda a construção de roteiros setoriais de descarbonização em parceria com governos, com definição de metas, tecnologias prioritárias e oportunidades de financiamento. O estudo recomenda também o apoio à mensuração das emissões de carbono e à criação de bases de dados climáticos que possam ampliar a oferta de instrumentos financeiros voltados à economia de baixo carbono.
Debate reunirá especialistas internacionais
Os resultados preliminares serão apresentados durante um painel dedicado ao papel do financiamento ao desenvolvimento nas transições industriais verdes. O debate contará com especialistas de instituições acadêmicas e organizações ligadas a políticas industriais e finanças sustentáveis.
O evento integra o Projeto Transição Verde na Indústria, desenvolvido em parceria entre a ABDE, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Institute for Manufacturing, da Universidade de Cambridge. A iniciativa busca contribuir para a formulação de estratégias voltadas ao financiamento da transição climática no setor industrial.






















