A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (1º) um reajuste médio de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), equivalente a um aumento de aproximadamente R$ 1 por litro em relação ao mês anterior. Mesmo com a alta, a companhia manteve a possibilidade de parcelamento para distribuidoras, como forma de reduzir o impacto imediato no setor aéreo.
O QAV é o principal combustível utilizado por aviões e helicópteros e responde por cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas.
O reajuste ocorre em um contexto de forte pressão internacional sobre os preços do petróleo, impulsionada pela guerra no Irã, iniciada no fim de fevereiro. O conflito envolve países estratégicos para a produção global e afeta diretamente rotas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás.
Como reflexo, o barril do petróleo tipo Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 120, ante cerca de US$ 70 antes do início do conflito — uma alta superior a 70%.
Parcelamento para aliviar impacto
Assim como no mês anterior, quando o reajuste foi ainda mais expressivo, a Petrobras permitirá que as distribuidoras parcelem parte do aumento em até seis vezes, com início dos pagamentos em julho de 2026.
Segundo a estatal, a medida busca preservar a demanda e reduzir impactos financeiros no setor de aviação, sem comprometer o equilíbrio econômico da empresa. A companhia destacou que a iniciativa ocorre em um cenário excepcional de instabilidade geopolítica.
Formação de preços e mercado aberto
O preço do QAV é definido mensalmente pela Petrobras, com base em uma fórmula vigente há mais de duas décadas, que busca alinhar os valores praticados no Brasil ao mercado internacional, ao mesmo tempo em que suaviza oscilações de curto prazo.
Apesar da forte presença da Petrobras — responsável por cerca de 85% da produção nacional — o mercado é aberto à concorrência, permitindo a atuação de outras empresas na produção e importação do combustível.
Medidas do governo para conter alta
Para tentar reduzir o impacto da elevação dos preços, o governo federal zerou temporariamente as alíquotas de PIS e Cofins sobre o QAV até o fim de maio. Além disso, outras ações foram adotadas, como:
- adiamento de tarifas de navegação aérea;
- liberação de cerca de R$ 9 bilhões em crédito ao setor, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo Nacional de Aviação Civil.
A combinação de fatores externos, como o conflito no Oriente Médio, e internos, como a dependência parcial de importação de combustíveis, mantém o setor aéreo sob pressão, com possíveis reflexos no preço das passagens nos próximos meses.
com informação Agência Brasil.






















