As mudanças nas regras de transição da Instituto Nacional do Seguro Social em 2026 acendem um sinal de alerta para quem ainda está no mercado de trabalho, especialmente para pessoas acima dos 40 anos. Com o aumento gradual da idade mínima e da pontuação exigida — agora em 93 pontos para mulheres e 103 para homens —, o tempo necessário para se aposentar se estende, tornando o planejamento previdenciário cada vez mais essencial.
Um levantamento da Serasa Experian revela um cenário preocupante: cerca de 79% dos aposentados brasileiros vivem com renda mensal inferior a R$ 2 mil, valor que, na maioria dos casos, não cobre despesas básicas.
Para Gabriel Barros, diretor da SF Barros Contabilidade, o principal problema está na falta de visão de longo prazo. Segundo ele, muitos brasileiros tratam a aposentadoria como algo distante, adiando decisões importantes. “Cada ano de contribuição impacta diretamente o valor final do benefício. Deixar para depois pode resultar em uma renda mais baixa no futuro”, afirma.
Impacto das contribuições
Mesmo ajustes considerados pequenos podem fazer diferença significativa. De acordo com o especialista, alguns meses adicionais de contribuição podem alterar o percentual aplicado sobre a média salarial, influenciando diretamente o valor da aposentadoria.
Outro ponto crítico está na qualidade das informações registradas no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). Erros ou inconsistências podem reduzir o tempo de contribuição reconhecido pelo INSS, prejudicando o cálculo do benefício.
Desafio vai além da previdência
O planejamento para aposentadoria não envolve apenas cálculos previdenciários. O aumento da expectativa de vida no Brasil amplia o desafio de manter estabilidade financeira por mais tempo fora do mercado de trabalho.
Para Marcos Ferreira, especialista em longevidade e pós-carreira, é preciso olhar para essa fase de forma mais ampla. “A aposentadoria pode durar décadas. É necessário preparo financeiro, emocional e social para garantir qualidade de vida”, explica.
Segundo ele, muitos brasileiros chegam a esse momento com renda limitada e ainda lidando com dívidas, o que compromete o bem-estar. “O ideal é começar a se organizar ainda durante a vida ativa, reduzindo passivos e criando fontes alternativas de renda”, diz.
Atenção para MEIs e informais
Trabalhadores informais e microempreendedores individuais precisam de atenção redobrada. A contribuição básica garante acesso aos benefícios, mas limita o valor da aposentadoria ao salário mínimo. Quem deseja receber mais precisa complementar os recolhimentos.
Planejamento é decisivo
Especialistas reforçam que ainda há tempo para ajustes, mesmo para quem já passou dos 40 ou 50 anos. Revisar contribuições, analisar regras de transição e reorganizar a vida financeira são estratégias que podem melhorar o resultado final.
“A aposentadoria não é apenas parar de trabalhar. É garantir liberdade com segurança. E isso só é possível com planejamento”, conclui Marcos Ferreira.






















