A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assinou uma carta de intenção com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) para promover o uso racional e seguro dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
A iniciativa tem como objetivo principal prevenir riscos sanitários associados ao uso irregular desses produtos, além de fortalecer ações educativas e o alinhamento técnico entre as instituições. Segundo a Anvisa, o foco está na troca de informações, na orientação à população e na atuação conjunta para coibir práticas inadequadas envolvendo esses medicamentos.
O plano integra uma estratégia mais ampla anunciada pela agência no início do mês, voltada ao combate de irregularidades na importação, manipulação, prescrição e comercialização dessas substâncias. Entre as medidas previstas estão o incentivo à prescrição responsável, o reforço na notificação de efeitos adversos e campanhas educativas direcionadas tanto a profissionais de saúde quanto ao público em geral.
A preocupação das autoridades cresce à medida que aumenta a popularidade desses medicamentos, originalmente indicados para o tratamento de doenças crônicas como diabetes e obesidade, mas que vêm sendo utilizados em diferentes contextos, muitas vezes sem acompanhamento médico adequado.
Grupos de trabalho
A Anvisa informou que deve publicar portarias para a criação de dois grupos de trabalho sobre o tema. Um deles terá caráter consultivo, responsável por acompanhar a implementação das ações, enquanto o outro reunirá representantes dos conselhos profissionais para aprofundar discussões técnicas e orientar práticas seguras.
Apreensões e combate ao mercado ilegal
Nesta semana, a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produtos sem registro no país e de origem desconhecida. A agência também proibiu a comercialização, distribuição, importação e uso dessas substâncias.
Paralelamente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai com grande quantidade de produtos ilegais, incluindo mil frascos de canetas emagrecedoras contendo tirzepatida. Dois passageiros foram presos em flagrante.
Segundo a Anvisa, medicamentos irregulares não oferecem qualquer garantia de qualidade ou segurança, podendo representar riscos graves à saúde.
Riscos e efeitos adversos
Em fevereiro, a agência já havia emitido um alerta sobre o uso indevido desses medicamentos, que incluem substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Apesar de aprovados para uso específico, o consumo sem indicação médica pode causar eventos adversos graves, como pancreatite aguda — condição que pode evoluir para formas severas e até fatais.
A recomendação das autoridades é clara: esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente sob prescrição e acompanhamento profissional, respeitando as indicações aprovadas em bula.
Com informação Agência Brasil.






















