Meses após a entrada em vigor das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, empresas de diferentes setores já enfrentam impactos relacionados ao aumento de custos, à perda de competitividade e às mudanças nas cadeias de suprimentos. O cenário, aliado à volatilidade cambial e às tensões no comércio internacional, tem ampliado as discussões sobre o reequilíbrio econômico-financeiro de contratos de longa duração e elevado o risco de disputas empresariais.
Segundo Marcello Guimarães, presidente da SWOT Global Consulting, eventos geopolíticos passaram a influenciar diretamente a execução de contratos, exigindo das empresas uma gestão mais estratégica dos riscos.
“O desafio agora é identificar, de forma técnica, quando esses impactos justificam renegociações e mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro”, afirma o especialista.
Custos maiores afetam diversos setores
De acordo com a SWOT Global Consulting, segmentos como siderurgia, agronegócio, mineração, logística e indústria de transformação já registram aumento de custos decorrente das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Esse cenário cria condições para que empresas revisem contratos de longo prazo e discutam a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro originalmente previsto entre as partes.
Revisões contratuais exigem fundamentação técnica
Na avaliação de Marcello Guimarães, a comprovação dos impactos econômicos é um dos principais desafios para empresas que buscam renegociar contratos.
Segundo ele, não basta demonstrar que houve aumento de custos. É necessário comprovar tecnicamente que o evento alterou de forma significativa as condições econômicas originalmente pactuadas.
Para isso, podem ser utilizados instrumentos como:
- perícias econômicas independentes;
- estudos técnicos sobre impactos financeiros;
- análises de custos e cadeias de suprimentos;
- documentação que comprove alterações relevantes nas condições de execução dos contratos.
Esses elementos podem servir de base tanto para negociações entre as partes quanto para eventuais processos judiciais ou arbitrais.
Gestão preventiva ganha importância
O especialista também destaca a necessidade de adoção de mecanismos preventivos para reduzir conflitos decorrentes das mudanças no cenário internacional.
Entre as medidas apontadas estão:
- monitoramento contínuo de riscos econômicos e geopolíticos;
- registro e documentação dos impactos sobre contratos;
- produção de evidências técnicas que sustentem pedidos de reequilíbrio;
- fortalecimento da gestão contratual para antecipar possíveis disputas.
Segundo Guimarães, quanto mais cedo as empresas identificarem e documentarem os efeitos das mudanças econômicas sobre seus contratos, maiores serão as possibilidades de preservar investimentos e solucionar divergências por meio da negociação, evitando litígios judiciais ou arbitrais.
Fusões e aquisições refletem ambiente de maior cautela
Dados da KPMG citados pela SWOT Global Consulting mostram que o Brasil registrou mais de 1.500 operações de fusões e aquisições em 2025. Ao mesmo tempo, empresas de diversos setores convivem com um ambiente de maior cautela por parte dos investidores e maior exposição a fatores externos, reforçando a importância da gestão de riscos e da revisão de estratégias contratuais diante da instabilidade do cenário internacional.






















