O Brasil registrou a abertura de 5,1 milhões de novas empresas em 2025, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. Mais de 96% desse total corresponde a Pequenos negócios. Apesar do crescimento do empreendedorismo, a abertura de uma empresa não garante a construção de um negócio financeiramente saudável.
Em um cenário de crédito mais caro, concorrência elevada, margens pressionadas e mudanças tecnológicas, a organização financeira ganha importância para a sustentabilidade das empresas. Para especialistas, o acompanhamento de indicadores e a análise dos recursos disponíveis são fundamentais para reduzir riscos e orientar decisões de expansão.
Segundo Wilson Sanches, diretor-geral da Domínio Financeiro, um dos principais erros dos empresários é concentrar a análise no faturamento ou no saldo bancário, sem considerar outros indicadores que mostram a real situação financeira da empresa.
1. Não administrar apenas pelo saldo bancário
O dinheiro disponível na conta não representa necessariamente lucro. O saldo pode não refletir compromissos futuros, despesas recorrentes, sazonalidades ou necessidades de capital de giro.
Por isso, o acompanhamento financeiro deve considerar projeções de fluxo de caixa e obrigações futuras. A análise permite identificar com antecedência períodos de maior necessidade de recursos e possíveis dificuldades de pagamento.
2. Priorizar o fluxo de caixa
O aumento das vendas não significa, necessariamente, aumento da lucratividade. Uma expansão pode elevar despesas com estoque, impostos, folha de pagamento e capital de giro.
O fluxo de caixa permite acompanhar as entradas e saídas de recursos e avaliar se o crescimento da empresa está sendo acompanhado por capacidade financeira suficiente para sustentar a operação.
3. Conhecer a margem de cada operação
A definição de preços sem considerar todos os custos envolvidos pode comprometer a rentabilidade. Despesas com frete, impostos, comissões, custos financeiros e gastos indiretos precisam ser incorporados à análise.
Conhecer a margem efetiva de cada produto ou serviço ajuda a identificar quais operações geram resultado e quais podem estar reduzindo a rentabilidade do negócio.
4. Utilizar indicadores para tomar decisões
Ferramentas de gestão financeira permitem reunir informações, integrar dados e acompanhar indicadores com maior rapidez. Para Sanches, a experiência do empreendedor continua relevante, mas deve ser combinada com dados concretos.
Indicadores financeiros podem auxiliar decisões relacionadas a investimentos, contratação, expansão, redução de custos e necessidade de capital.
5. Transformar o setor financeiro em estratégico
O departamento financeiro deixou de ter apenas funções operacionais, como pagamento de contas e controle de despesas. A área também pode fornecer informações para orientar decisões de crescimento e eficiência.
Com processos organizados e indicadores atualizados, a empresa consegue identificar desperdícios, avaliar margens, antecipar riscos e analisar oportunidades com maior segurança.
A estruturação financeira também pode contribuir para melhorar a relação da empresa com instituições financeiras, investidores e possíveis parceiros. Em um ambiente de maior concorrência e custos elevados, o controle dos números passa a ser um dos elementos centrais para a sustentabilidade dos negócios.
Para Sanches, o desafio dos novos empreendedores não está apenas em abrir uma empresa, mas em criar condições para que ela cresça sem comprometer sua saúde financeira. Nesse cenário, transformar informações financeiras em decisões estratégicas pode ser determinante para diferenciar empresas que conseguem expandir daquelas que apenas mantêm suas operações.






















