O Centro do Rio de Janeiro foi tomado por uma multidão neste domingo (30) para celebrar o quarto título da Libertadores conquistado pelo Flamengo. Milhares de torcedores — muitos deles emocionados, vindos de diferentes partes da cidade e da região metropolitana — acompanharam a passagem dos jogadores em um caminhão do Corpo de Bombeiros, em clima de euforia e união.
A festa confirma o poder mobilizador do clube na vida dos brasileiros, algo já retratado por Moraes Moreira em 1983, quando cantou que “a cada gol do Flamengo eu me sentia um vencedor”. Na época, o sambista lamentava a ida de Zico para a Europa; agora, mais de quatro décadas depois, os rubro-negros voltaram a experimentar essa sensação de vitória quando o zagueiro Danilo marcou o gol decisivo em Lima, no Peru.
Torcedores relatam emoção e alívio em meio às dificuldades da vida
Entre os presentes, histórias de superação se misturavam à alegria pela conquista. Eduardo Ferreira e Valéria Nunes, moradores do Cosme Velho, celebraram uma “vitória dupla”: além do título, receberam o resultado negativo de um exame que investigava suspeita de câncer. Para o casal, a festa funciona como combustível emocional diante dos desafios pessoais.

A estudante Andressa Vitória saiu de São Gonçalo com a família e chegou ao Centro horas antes do cortejo. Sofrendo de ansiedade, ela diz que o futebol “alivia o peso do dia a dia” e cria laços que se aproximam de uma grande família rubro-negra.
De Resende, a 170 km da capital, Eusébio Carlos reforçou o caráter democrático do futebol: “reúne o pobre e o rico, quem ganha muito e quem ganha pouco — o futebol une tudo”.

Futebol como fenômeno cultural e social
Especialistas também ressaltam esse poder de união. O sociólogo Mauricio Murad, pesquisador da UERJ e da Universidade do Porto, afirma que o futebol é “o mais significativo fenômeno da cultura das multidões no Brasil”, mobilizando emocionalmente pessoas de diferentes classes sociais, idades e regiões.
Tradição que atravessa gerações
Entre os muitos torcedores que levaram filhos pequenos ao evento, o casal Maurício Braz e Flávia Torres levou o bebê João Vicente, de apenas 9 meses, iniciando desde cedo a tradição familiar. “É algo que passa de pai para filho”, disse o pai, segurando orgulhoso a camisa rubro-negra que guarda desde 1995.
Um domingo para a história rubro-negra
Para muitos, a celebração deste domingo foi um reencontro com a alegria que o futebol proporciona. João Nogueira já cantava que “quando o Mengo perde, eu não quero almoçar”. Desta vez, a Nação Rubro-Negra almoçou, jantou e dormiu feliz — celebrando não apenas um título, mas a força simbólica que o clube exerce no imaginário brasileiro.
Com informações da Agência Brasil.


















